Evite uma nova gravidez sem prejudicar o aleitamento

Existem diversos métodos contraceptivos à disposição da mulher. Porém, nos meses seguintes a uma gravidez, não são todos os que podem ser adotados. Isso porque alguns deles podem prejudicar não apenas a quantidade, mas também a qualidade do leite produzido durante a fase de amamentação.
O doutor Coríntio Mariani Neto, diretor da Sogesp (Associação de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo), recomenda anticoncepcionais que contenham progesterona para os primeiros meses de lactação. As pílulas do dia seguinte, constituídas de levonorgestrel, um progestágeno que não interfere no aleitamento, também são adequadas. Já aquelas que contêm estrógeno representam um risco, pois podem influir na produção do leite.
“Reintroduzimos os métodos anticoncepcionais quando se completam seis semanas pós-parto. É a partir de então que começa o risco de uma possível ovulação e, consequentemente, uma nova gestação”, acrescenta.
Já em relação ao período ideal para se retomar a atividade sexual, o doutor Coríntio afirma que isso depende do tipo de parto a que a mulher foi submetida. Nas cesáreas, a recomendação é que se aguarde pelo menos um mês. Mas se ele foi normal e sem cortes, o fator limitante muitas vezes é a presença de sangramento genital. Fora isso, nada impede o recomeço em torno de duas semanas após o parto. Quando há pontos, recomenda-se aguardar a queda deles e só reiniciar três semanas depois do procedimento.
Com a retomada das relação sexuais, os métodos anticoncepcionais se tornam importantes por conta da recomendação médica de se esperar ao menos seis meses para uma nova gestação. “Esse é o tempo mínimo para o organismo materno se recuperar e também é o período recomendado para a mulher praticar o aleitamento materno exclusivo”, diz o especialista.
Outros métodos
Além da pílula anticoncepcional, a mulher tem a opção de recorrer ao DIU (dispositivo intrauterino), que pode ser inserido logo após o puerpério, ou seja, 42 dias depois do parto, informa o doutor Carlos Serpa, diretor da Sogimig (Associação dos Ginecologistas de Minas Gerais). “É um método tão seguro quanto os contraceptivos hormonais, desde que inserido adequadamente e mantido bem posicionado. Porém, ele pode causar aumento do fluxo menstrual e aumentar a dismenorreia (cólica menstrual)”, alerta ele. Existe ainda o risco de o organismo expulsar o DIU sem que a mulher perceba, tornando-a vulnerável a uma gravidez não planejada.
A partir de seis semanas pós-parto, o diafragma também serve como método anticoncepcional. O único cuidado que se deve ter é em relação à técnica correta de introdução na vagina, pois ele sempre deve vir acompanhado de um lubrificante, por exemplo, gel de nonoxinol, que possui ação espermaticida.
Finalmente, os casais só devem optar pela laqueadura, que é definitiva, após uma decisão bastante consciente e convicta. Os momentos ideais para fazer o procedimento são fora da gravidez ou, no máximo, logo no início. No caso de uma terceira cesárea consecutiva ou de risco de morte para a mulher em uma nova gestação, autoriza-se a execução dela durante o próprio parto.






