Corrimentos

Corrimentos: quando se preocupar
Assim como o resto do corpo humano, a vagina também produz secreção, fundamental para manter a funcionalidade e o pH adequado. Nesse local, o pH ideal é ácido, ou seja, abaixo de 7 e entre 3,8 a 4,2. A ausência da secreção pode indicar carência hormonal e até provocar infecções. “Mulheres na pós-menopausa podem ter alterações na flora vaginal, pois passam por uma grande mudança hormonal, com carência de estrogênios, que estão ligados à produção dessas secreções”, explica Jean Carlos de Matos, ginecologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas.
Se a mulher não toma pílula, as mudanças podem ficar ainda mais evidentes: em casos anormais, há alteração de textura, cor, odor ou quantidade da secreção vaginal. O normal é coloração esbranquiçada ou transparente (dependendo do momento do ciclo) e ausência de odor. A quantidade varia de mulher para mulher.
Segundo o especialista, na maior parte das vezes a alteração do corrimento é causada por infecções. Mesmo assim, vale checar se não é provocada por uma DST. “Se atendo uma paciente com mais de três parceiros, menos de 25 anos e que tem corrimento ou úlcera, já trato para DST, para bloquear o processo e não permitir que a doença seja transmitida nem que ela corra o risco de ficar infértil”, afirma. É que existem DSTs, como a clamídia, que podem ser confundidas com uma infecção causadora de candidíase e serem tratadas como tal. O problema é que a DST pode evoluir e causar infertilidade.
Em caso de infecção por bactérias, a secreção muda de cor e pode se tornar malcheirosa. No caso da vaginose, o corrimento adquire cor acinzentada, vem em abundância e tem cheiro de amônia. Isso é decorrência da ação de bactérias anaeróbias que se fixam na região e do pH alto da vagina. Geralmente, a infecção vem acompanhada de ardência depois da relação sexual. No caso da candidíase, a secreção é esbranquiçada e não tem cheiro. Nesse caso, o pH fica mais baixo, há irritação, coceira e ardência ao urinar.
A tricomoníase é uma DST que também recebe o alerta pelo corrimento. Nela, a secreção tem cor esverdeada e cheiro forte. Além disso, a região genital fica irritada e há ardência durante o sexo. A paciente deve ser tratada. O parceiro, se apresentar sintomas da doença, também precisa de ajuda médica.
Às vezes, a secreção vaginal pode apontar problemas mais graves. “Se apresenta cheiro de sangue, pode ser sinal de câncer do colo do útero. Caso a mulher manifeste candidíase de forma recorrente, significa que a resistência do organismo está baixa e mais vulnerável a doenças. Isso pode indicar depressão, câncer e até HIV”, pontua o dr. Jean Carlos de Matos.
Para prevenir corrimentos anormais, é preciso manter uma rotina ginecológica. Quando a mulher visita o médico periodicamente, ele é capaz de perceber, por um exame clínico, se houve alteração na secreção vaginal e, depois de avaliar o material em laboratório, determinar se ela é fruto de infecção, DST ou alteração hormonal. E, a partir do diagnóstico, indicar o tratamento mais adequado.
Um ponto importante é o cuidado com a higiene. Como o pH da vagina é ácido, o mais apropriado é usar produtos que não o alterem, como sabonetes neutros. “A higiene da região deve ser feita uma ou duas vezes ao dia”, recomenda o médico. Outros conselhos do ginecologista são: investigar qualquer sangramento anormal, não fazer duchas intravaginais, usar preservativo nas relações sexuais e urinar após o sexo. Evitar ficar com biquíni molhado e usar roupas íntimas de algodão, já que o tecido permite que a pele “respire”, também são hábitos recomendáveis. O médico também aponta que os produtos que entrem em contato com a região íntima, como absorventes e protetores diários, não podem ter perfume. E nada de usar absorvente interno por mais de doze horas.






