DST's Durante a Gravidez

DST's Durante a Gravidez

DSTs exigem atenção também durante a gravidez

da PrimaPagina

As principais preocupações de uma mulher em relação à sua vida sexual geralmente são proteger-se contra as doenças sexualmente transmissíveis e evitar gravidez não planejada. Mas mesmo quando a mulher está grávida deve continuar concentrada em evitar as DSTs, pois este é um período em que, além de expor o bebê, encontra-se em estado imunológico mais frágil, ainda que o risco de contrair uma enfermidade por via sexual seja igual ao de uma não gestante.

“Se entrar em contato com sífilis ou gonorreia, ela vai desenvolver a doença. O HPV cresce demais na gravidez. Ela pega na mesma proporção que uma pessoa não grávida, mas os sintomas podem ser mais exuberantes”, explica a ginecologista Adriana Bittencourt Campaner, chefe do setor de doenças do trato genital e HPV da Santa Casa de São Paulo e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa.

Se tiver DSTs, a grávida precisa cuidar-se logo, para que não cheguem até o bebê. O modo mais seguro para que a criança não adquira o problema é a mãe se tratar. A maioria das doenças tem cura e pode ser combatida com antibióticos.

O quadro mais frequente é o HPV, que na geralmente é assintomático, mas em 10% dos casos provoca verrugas na mucosa da região vaginal e adjacências. Se não for tratado, pode levar a câncer do colo do útero, da vulva ou da vagina.

Em quem contraiu o papiloma vírus humano, o recomendável é que o parto seja via cesariana, principalmente se na área da vagina houver muitas verrugas. Essa é uma maneira de não expor o bebê à doença e, portanto, de evitar que ele desenvolva a papilomatose laríngea, que se caracteriza por verrugas na garganta. “Mas o quadro é raro e pode ser tratado pelo otorrinolaringologista. É só ‘queimar’ as verrugas”, resume a dra. Adriana.

O segundo tipo de DST mais comum é a sífilis, que pode ser assintomática no início do período de incubação e, na fase aguda, manifesta-se por meio de úlceras purulentas na vulva. A bactéria causadora circula na corrente sanguínea, o que significa que o bebê pode ficar doente antes mesmo de nascer. Se o problema não for tratado e for transmitido para a criança (transmissão vertical), ela pode ter sífilis neonatal, marcada por alterações nos dentes e na boca. Na mulher, “pode acarretar complicações cardiovasculares e neurológicas”, diz a ginecologista. Mãe e filho podem ser tratados com antibióticos.

A patologia mais perigosa durante a gestação é o herpes. Ele forma bolhas de água nos genitais ou na boca, que estouram, provocando incômodo. O risco para o filho é grande: como seu organismo ainda tem uma resistência muito baixa, o herpes neonatal pode levar à morte. O tratamento da mãe é feito com antibióticos; a criança pode precisar de um tempo na UTI para se recuperar.

A bactéria da gonorreia causa infecção na vagina e no colo do útero. O bebê pode contrair a doença na hora do nascimento, com risco de cegueira ao entrar em contato com as lesões. Para evitar isso, a equipe médica, especialmente no parto normal, aplica uma solução de nitrato de prata nos olhos do recém-nascido.

Já a clamídia pode ser assintomática ou se manifestar com corrimento e ardor ao urinar. No entanto, de acordo com a dra. Adriana, não há risco sério para a criança. Tanto a mãe como o filho são tratados com antibióticos. “A gonorreia e clamídia podem ter como consequência a infertilidade e infecções purulentas na barriga. Às vezes é preciso operar, mas é raro”, comenta a dra. Adriana.

O HIV pode trazer várias complicações, porque deixa o organismo sensível e mais vulnerável a doenças oportunistas, como a pneumonia. “A profilaxia é feita com o AZT. Isso diminui a possibilidade de transmissão vertical, que hoje fica em torno de 7%. Durante a gravidez, a mulher toma o coquetel e AZT na veia antes do parto, faz cesárea e o bebê toma AZT por um mês. O risco é pequeno, mas mesmo com isso tudo a transmissão pode acontecer”, afirma a ginecologista.

Mães portadoras de HIV não podem amamentar, porque há risco de o vírus ser transmitido através do leite. Nesses casos, a melhor opção é recorrer ao banco de leite do hospital.

Os tipos de parto

Para pacientes que têm herpes ou sífilis, indica-se a cesárea, uma vez que as lesões podem atrapalhar a passagem do bebê pelo canal de parto. Para portadoras de gonorreia e clamídia, o parto normal está liberado se a doença estiver controlada. “Para o HPV, aconselhamos fazer cesárea quando a paciente tem muitas verrugas na região genital. Mas existem estudos que falam da presença do vírus no líquido amniótico, ou seja, ele entra em contato com a criança antes do parto”, afirma a médica da Santa Casa. Para o HIV, o ideal é parto cesáreo.

As DSTs podem desencadear o trabalho de parto antes da hora. Um bebê prematuro é mais vulnerável e pode precisar de cuidados especiais, como ajuda de aparelhos para respirar ou até mesmo um tempo de internação na UTI neonatal.