Dar à luz não precisa ser um “parto”

Dar à luz não precisa ser um

Por um lado, o deslumbramento com a maternidade e a indescritível sensação de gerar uma vida. Por outro, preocupações naturais: o que fazer daqui para a frente? Como se comportar durante a gestação? Que cuidados tomar para que tudo corra bem e o bebê nasça saudável? E o parto, deve ser natural ou cesárea? Antes de tomar qualquer decisão, é importante ter em conta que há uma série de recomendações médicas, que podem ser aplicáveis caso a caso.

Em geral, a mulher deve começar a ingerir ácido fólico assim que decidir ficar grávida ou descobrir a gravidez. O complemento é importante para prevenir malformações no sistema nervoso do feto, que podem ocorrer quando a mãe tem deficiência dessa substância no organismo.

A partir do momento em que a gravidez for confirmada, é recomendável evitar medicamentos e exposição a radiações. Alguns médicos defendem ainda que a futura mamãe não use tintura nos cabelos. E o mais importante: é fundamental agendar logo uma consulta com um profissional para fazer os exames de pré-natal e receber todas as orientações necessárias.

Natural ou cesárea?

Apesar de todos os progressos da medicina, pouca coisa mudou em relação ao trabalho de parto, o que talvez explique a grande incidência de cesáreas (técnica cirúrgica que consiste em retirar o feto pelo abdome) no País. O Brasil é um dos líderes mundiais em cesarianas (na rede privada, por exemplo, representam quase 80% do total, contra os 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde). Mas esse fenômeno não é exclusivamente nacional, como explica o ginecologista e obstetra Sérgio dos Passos Ramos.

“Esse índice também está subindo nos Estados Unidos”, esclarece. “O que ocorre é que, com o avanço da medicina, a cesariana ficou cada vez mais segura tanto para a mãe como para o recém-nascido. E há mulheres que não querem se submeter ao trabalho de parto, que, em uma primeira gravidez, leva de 12 a 24 horas”, completa.

Mas, afinal, a medicina não evoluiu na condução do parto vaginal? O Dr. Sérgio diz ouvir esse questionamento com frequência. “A verdade é que a medicina e a mulher evoluíram muito, mas não se pode nem se deve acelerar um processo espontâneo e natural como o trabalho de parto”, explica.

Antigamente, usavam-se analgésicos muito fortes. Nos dias de hoje, menos drogas são usadas, pois todas podem ter efeito sobre o feto. Há a anestesia para o parto vaginal, mas ela só deve ser utilizada no terço final do procedimento. Mesmo assim, em alguns casos, sua interferência pode causar um parto operatório vaginal ou abdominal.

“O que resta é uma preparação consciente e verdadeira da mãe, do pai e da família para a realidade do trabalho de parto”, pondera o especialista. “Essa preparação emocional busca desmistificar duas versões: a de que o trabalho de parto dói muito, o que não é verdade, e de que não dói nada e não tem desconforto, o que também não é verdade”, acrescenta.

Ainda de acordo com o Dr. Sérgio, a taxa de cesarianas é menor em alguns países da Europa porque a escolha não é permitida à paciente. O parto só deixa de ser natural em caso de real necessidade da mãe ou do feto.

Preparação especial

As doulas – mulheres que acompanham o trabalho de parto, dando suporte psicológico à futura mamãe – podem ser um excelente apoio às gestantes que optam pelo parto natural.

Mas é importante manter um bom preparo durante todo o pré-natal, com alimentação controlada, prática de exercícios físicos leves, como hidroginástica e ioga, e frequência em cursos de orientação. O medo, em muitos casos, é provocado por falta de informação.

Teoricamente, qualquer mulher tem condições de dar à luz pela via natural. Na prática, existem características pessoais que podem tornar o parto vaginal mais difícil e, às vezes, contraindicado. Por isso, é fundamental uma conversa sincera entre médico e paciente, para analisar todas as possibilidades e o respeito, dentro do possível, à vontade da mulher.

Os pais não podem ficar de fora. “O pai deveria acompanhar todo o processo de pré-natal, exercícios preparatórios, curso de gestantes e parto”, recomenda o Dr. Sérgio Ramos.

“É necessário que ele seja preparado e informado sobre todas as etapas do trabalho de parto, para poder participar ativamente desse processo como coadjuvante, não como mero espectador. Partos dos quais os pais participam ativamente são melhores para as mães. E, além disso, são um momento maravilhoso: o nascimento de uma nova vida”, conclui.

A informação é, definitivamente, uma grande aliada da gestante: mantenha os cuidados em dia e concentre-se ainda mais em todos os prazeres que envolvem a chegada do bebê.

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