Hormônios por ossos mais fortes

Hormônios por ossos mais fortes

A chegada da menopausa causa uma série de mudanças no organismo da mulher. A principal delas está relacionada à diminuição da produção de estrogênios. Entre as consequências dessa queda na atividade hormonal, inclui-se a perda de massa óssea, que pode levar à osteoporose. Mas será que há alguma forma de evitar que essa fase da vida da mulher se torne um problema?

O ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), afirma que um meio eficaz para minimizar os efeitos do climatério  é a terapia hormonal. O especialista explica que os estrogênios administrados vão atuar na conservação óssea, inclusive nos locais onde as fraturas ocorrem com mais frequência.

“Inúmeros trabalhos clínicos mostram que a reposição hormonal é eficaz em reduzir as fraturas por osteoporose. Isso ocorre porque os hormônios atuam sobre a remodelação óssea, inibindo a sua reabsorção, que está aumentada na transição menopáusica e nos primeiros anos após essa etapa”, afirma.

Apesar da comprovação científica dos benefícios, muitas mulheres deixam de adotar o tratamento por medo de desenvolver câncer de mama , por exemplo. Tendo como base os estudos atuais, o especialista explica que não parece haver riscos, especialmente se a reposição durar menos de cinco anos.

“Em pacientes que a usam de maneira contínua por um tempo superior a cinco anos, o risco parece aumentar de maneira muito leve. Nessas circunstâncias, a avaliação individualizada pelo médico que acompanha o caso pode decidir pela conveniência de interromper ou dar continuidade ao tratamento”, explica.
O momento mais adequado para iniciar a prevenção é tão logo sejam percebidos indícios de deficiência hormonal. Entretanto, essa fase varia de mulher para mulher. Como não há uma idade exata para essa manifestação, a melhor maneira para se perceber a hora correta é prestar atenção em irregularidades durante o ciclo menstrual.

“Se a reposição hormonal tiver início imediato na fase pós-menopáusica, admite-se que um período de 5 a 10 anos de tratamento possa ser necessário para redução de riscos das fraturas osteoporóticas. Já o início fora desse momento, que se convencionou chamar de ‘janela de oportunidade para a reposição hormonal’, não tem se mostrado tão eficaz para minimizar o problema”, afirma.
Fernandes alerta ainda que, para ser efetivo, o tratamento deve ser mantido por um certo período. Caso ele seja interrompido, a consequência será uma acelerada perda de massa óssea, que se assemelha à observada durante a menopausa.

Complemento à reposição hormonal
Os benefícios da reposição hormonal podem ser potencializados caso ela seja combinada com exercícios físicos adequados. O ideal é que sejam adotadas atividades que imponham uma sobrecarga mecânica aos ossos.

“As indicadas são aquelas que suportam peso, como a caminhada e a corrida. Elas combinam a gravidade e a contração muscular para sobrecarregar mecanicamente os ossos das extremidades inferiores e a coluna”, afirma.

O programa de exercícios deve considerar a individualidade de cada paciente. O ideal, no climatério, é que as pacientes andem de três a cinco vezes por semana, em ritmo de marcha moderada, com duração de 30 a 40 minutos.

Entretanto, o ginecologista afirma que alguns cuidados devem ser tomados antes de se dar início a essas atividades. “O local das caminhadas deve ser plano e bem arborizado, e, antes do início dos exercícios, a pessoa deve realizar um aquecimento e alongamento da musculatura.”

Exercícios de impacto precisam ser evitados, visando a prevenção de lesões osteoarticulares. A natação, por sua vez, não é tão eficaz para combater os efeitos da osteoporose, por fornecer um estímulo insuficiente para as vértebras lombares.