Terapia hormonal na hora certa

Tão importante quanto escolher o tipo de terapia hormonal mais adequado para cada mulher é saber o período certo para o início do tratamento. Sintomas típicos da chegada da menopausa, como ondas de calor, oscilações de humor e ressecamento vaginal e da pele podem servir de indícios para o agendamento de uma consulta com o ginecologista – é ele que determinará o momento oportuno para começar a reposição, com base no quadro clínico da paciente.
A faixa etária também é um dos fatores a serem levados em conta na escolha da reposição hormonal. O tratamento é mais indicado quanto menor for o tempo de pós-menopausa, explica a ginecologista Maria Celeste Osório Wender, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“É muito raro hoje iniciarmos o tratamento em alguma mulher que entrou na menopausa há mais de 10 anos. O mais importante é o tempo pós-menopausa. Isso porque a relação risco-benefício da terapia hormonal tem forte correlação para benefício quanto mais precocemente ela for iniciada. Em geral, as pacientes que têm mais indicação para começá-la, por ser mais sintomática, são as mais jovens”, acrescenta a especialista.
Já a ginecologista Eliana Aguiar Petri Nahas, professora-doutora do Departamento de Ginecologia-Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp (Universidade Estadual Paulista), reforça que, antes de iniciar o tratamento, deve-se passar por um ginecologista, e “não ir tomando qualquer hormônio, sem exame prévio”.
“A mulher precisa passar por uma série de exames, ver como está o perfil lipídico, a taxa de glicemia. Fazer mamografia é importantíssimo, assim como um ultrassom transvaginal. Depois, a gente introduz a terapia hormonal. Esses cuidados são muito importantes”, afirma.
Tratamento individualizado
Cada mulher responde de forma diferente ao tratamento hormonal, atualmente mais individualizado – as doses de reposição utilizadas hoje representam quase a metade das empregadas oito anos atrás, na maioria dos casos. As quantidades minimamente eficazes mantêm os benefícios e ainda apresentam menos riscos.
Na hora de indicar a reposição, variantes como vias de administração (oral, transdérmica, subcutânea, intrauterina, vaginal), aplicação (combinada ou isolada), regimes (contínuos ou cíclicos) e os próprios hormônios utilizados (estrogênios e progestogênios, além dos androgênios) podem ser levados em conta em cada um dos quadros clínicos analisados.
Fatores ligados à saúde cardiovascular e dos ossos também podem levar à indicação da reposição hormonal. Isso porque, com a chegada da menopausa, há grande redução no nível de produção de hormônios como o estrogênio, que protege o coração e tem efeito vasodilatador, além de dificultar a perda de cálcio dos ossos, fenômeno que acarreta o desenvolvimento da osteoporose.
“O que se sabe hoje, em virtude de estudos recentes, é que o uso de estrogênio tem momento adequado para poder resultar nesses efeitos favoráveis”, explica o ginecologista Marco Aurélio Albernaz, presidente da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac).
“Se assim for, o hormônio pode trazer efeitos positivos, diminuindo risco de doença cardíaca coronária. Se for no momento inadequado, porém, terá efeito contrário”, alerta.
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