Coração Forte Após a Menopausa

A fase em que a mulher passa do período reprodutivo para o não fértil é chamada de climatério. Nessa etapa, a produção de hormônios sexuais é reduzida, o que pode ser um problema para o coração. Não, não estamos falando de romantismo, e sim do risco de doenças cardiovasculares, que aumenta com a redução dos níveis de estrogênio.
A terapia hormonal, desde que iniciada no momento certo, pode servir de proteção.
O estrogênio protege o coração e os vasos sanguíneos, tem efeito vasodilatador e melhora os níveis do bom colesterol, o que tem efeito positivo contra a aterosclerose (enfermidade inflamatória dentro dos vasos sanguíneos). Existem vários fatores que predispõem ao desenvolvimento de doenças coronarianas. E o hipoestrogenismo (baixa produção de estrogênio) é um deles.
O estrogênio também dificulta a perda de cálcio dos ossos, fenômeno que acarreta o desenvolvimento da osteoporose , que favorece a ocorrência de fraturas. A perda óssea se acentua na menopausa, especialmente nos primeiros anos. A reposição hormonal, portanto, pode manter esses benefícios se for realizada no momento adequado.
"O que se sabe hoje, em virtude de estudos recentes, é que o uso de estrogênio tem momento adequado para poder resultar nesses efeitos favoráveis", explica o Dr. Marco Aurélio Albernaz, presidente da Associação Brasileira do Climatério (Sobrac). "Se assim for, o hormônio pode trazer efeitos positivos, diminuindo risco de doença cardíaca coronária. Se for no momento inadequado, porém, terá efeito contrário", alerta.
Esse momento não é definido pela idade, mas pelos sintomas da chegada da menopausa. É o ginecologista, portanto, quem deve determinar a hora correta para iniciar o tratamento, com base no quadro clínico de cada paciente. Nem toda mulher vai precisar de terapia de reposição hormonal. A necessidade também será apontada pela presença e gravidade dos sintomas.
"O tratamento se justifica para aliviar sintomas que interfiram no dia a dia, sejam eles vasomotores (também conhecidos como fogachos ou ondas de calor) ou de trato gênito-urinário (caracterizado principalmente pela secura vaginal), por exemplo. Além de alívio nos sintomas descritos, a mulher vai ter ainda outros benefícios, como redução do risco de perda de massa óssea", comenta o Dr. Marco Aurélio.
É importante destacar que, embora ocorra uma melhora no perfil lipídico (gorduras presentes na circulação sanguínea) após algumas semanas, o que já beneficia as artérias, o efeito preventivo para doenças cardiovasculares de longa evolução se dá no longo prazo, desde que o tratamento seja iniciado no momento correto.
Cuidado personalizado
A escolha do melhor método de reposição hormonal fica a critério do médico, em conjunto com a paciente. A mulher deve se informar com seu ginecologista sobre as diversas opções de aplicação disponíveis (gel, via oral etc.) e analisar qual é mais indicada para o seu caso. A terapia deve ser individualizada – não existe um único tratamento que seja ideal para todas as mulheres.
A duração também não é definida previamente. Só mesmo o acompanhamento médico poderá determinar quando encerrar o tratamento. Geralmente utiliza-se a reposição hormonal por cinco anos. Mas o prazo pode ser menor ou maior dependendo das necessidades. O tratamento deve ser mantido enquanto estiver proporcionando benefícios. No momento em que a avaliação periódica pesar mais para o risco, então deve ser suspenso.
Vale lembrar que a terapia de reposição hormonal não é, sozinha, a solução milagrosa para todos os males. Ao chegar à menopausa, a mulher deve compreender a importância de adotar um estilo de vida mais saudável: dieta equilibrada, perda de peso (para quem tem obesidade), redução ou eliminação do fumo e do consumo de bebidas alcoólicas, prática de atividades físicas e de lazer são igualmente fundamentais para o bom funcionamento do sistema cardiovascular e de todo o organismo.
Segundo o Dr. Marco Aurélio, esse é um momento de transição na vida da mulher. "Existe um componente emocional muito forte, que pode até suscitar depressão. Então é preciso diminuir o estresse emocional e fazer com que a mulher tenha outras formas de encarar essa etapa com mais tranquilidade e equilíbrio", aconselha.




