Coração: No Ritmo da Vida

Símbolo do amor e da emoção, ele é o principal responsável pela vida. Bomba propulsora capaz de fazer circular de 4 a 6 litros de sangue por minuto no corpo de uma pessoa adulta, o coração recebe a substância com pouco oxigênio – que chega pelo lado direito – e a impulsiona para o pulmão, para ser novamente oxigenado.
Passada essa etapa, o sangue volta ao coração pelo lado esquerdo e é reenviado a pernas, braços e outras áreas do corpo, que podem, assim, continuar trabalhando com perfeição.
Tudo isso acontece em um ritmo incansável, a uma média de 80 contrações por minuto. “Dá pra afirmar que não há máquina nenhuma criada pelo homem capaz de trabalhar sem parar durante 70, 80 anos, como o coração faz”, afirma o cirurgião cardiovascular do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) e especialista em Transplante Cardíaco e Assistência Circulatória Mecânica José de Lima Oliveira Jr.
Por conta dos mecanismos bem encadeados para oxigenação do sangue, o órgão atingido mais diretamente quando ocorre qualquer insuficiência cardíaca é o pulmão, que passa a acumular a substância devido à dificuldade de bombeamento. Em um efeito-cascata, os demais órgãos vão sendo afetados em seguida. Isso demonstra bem a gravidade do problema.
“A insuficiência cardíaca pode matar mais do que qualquer outra doença”, ressalta o cirurgião. “Perde apenas para o câncer de pulmão”, completa.
Outra preocupação é com o bom funcionamento das válvulas. O coração humano tem quatro delas, cuja tarefa é direcionar o sangue que entra em suas cavidades, impedindo que a substância retorne após entrar por uma determinada cavidade. E todo cuidado é pouco para manter essas válvulas saudáveis, de modo a evitar arritmias ou a temida insuficiência cardíaca.
As mulheres devem tomar cuidados específicos, de acordo com a faixa etária. Nas jovens, por exemplo, a causa mais comum de problemas nas válvulas é a doença reumática. Por outro lado, após os 50 anos, torna-se mais frequente a incidência de diabetes e hipertensão arterial sistêmica, doenças que, quando não bem controladas, podem levar a formação de arteriosclerose nas artérias coronárias, o que aumenta a chance de infarto agudo do miocárdio, podendo resultar em morte ou insuficência cardíaca. Deve-se ressaltar que a própria hipertensão sem controle pode resultar, em longo prazo, em vários graus de insuficiência cardíaca.
Ditando o ritmo
O coração é sensível ao ritmo de vida de cada pessoa. Em situações de estresse ou em atividades físicas, ele acelera para levar mais oxigênio ao cérebro e aos músculos, que podem, assim, dar conta do esforço que o corpo está requerendo.
O mesmo ocorre diante de emoções fortes, quando há grande liberação de adrenalina, hormônio que tem a característica de aumentar os batimentos cardíacos, a respiração e o suor. Em crianças, quase sempre agitadas, a frequência cardíaca também é maior. Mas durante o sono, com o corpo em estado de repouso, a necessidade de oxigênio diminui e o ritmo cai significativamente.
Tão importante e delicada, essa máquina bem engrenada merece uma preocupação especial para ficar com boa manutenção. Verifique periodicamente sua pressão arterial, consulte um cardiologista antes de iniciar qualquer programa de exercícios ou uma atividade física regular e dê preferência a uma alimentação saudável, sem abusar de sal ou gorduras. Seu corpo agradece, de coração.
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