Coração partido, muito além da emoção

Coração partido, muito além da emoção
Quando se fala em síndrome do coração partido, sobram muito mais perguntas do que respostas. Atribuída ao "estilo de vida moderno", frequentemente gerador de grande estresse emocional, a doença foi descoberta recentemente (o primeiro caso conhecido data do início da década de 1990). Os sintomas são muito semelhantes ao do infarto, com dor, falta de ar e alterações eletrocardiográficas e afetam, principalmente, mulheres com mais de 65 anos.


O curioso nome da síndrome é, ao mesmo tempo, uma associação com o estresse afetivo, capaz de "partir o coração", e com a aparência que o órgão assume durante sua ocorrência: passa a se contrair de forma assimétrica, estreitado no meio e com formato de balão na ponta. Dessa forma, parece estar mesmo dividido ou "partido".
De acordo com Ricardo Meirelles, professor associado de endocrinologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), idosas respondem por 80% dos casos diagnosticados.

As causas dessa proporção, no entanto, ainda são ignoradas, do mesmo modo que se desconhece por que os homens são menos vulneráveis. A prevenção da síndrome, também chamada de miocardiopatia induzida por estresse, costuma ser difícil, até mesmo pela falta de informação.

"Não se sabe exatamente quais as causas. A doença parece estar ligada ao estresse psicológico, a separações, perdas de entes queridos ou materiais. Essas são situações que todos desejaríamos evitar, mas que ocorrem independentemente da nossa vontade", afirma o Dr. Ricardo.

Segundo ele, a síndrome parece estar associada à produção exagerada de catecolaminas (grupos de hormônios como a adrenalina e a noradrenalina) pela medula das glândulas suprarrenais e pelas terminações nervosas simpáticas. Essas substâncias atuariam sobre o coração. Parecem haver também um espasmo multivascular coronariano e uma disfunção microvascular.

"Uma vez afastado o diagnóstico de infarto com a cineangiocoronariografia (cateterismo cardíaco), o tratamento é sintomático e voltado para amenizar a dor, manter as condições hemodinâmicas estáveis e melhorar a falta de ar", esclarece o endocrinologista. Para pacientes submetidos a estresse crônico, também pode ser necessário tratamento psicoterápico.

O exame de angiografia (radiografia da anatomia do coração e vasos sanguineos) permite o diagnóstico ao não comprovar oclusão (obstrução) coronariana ou ruptura de placa ateromatosa (que se forma na parede dos vasos e representa a principal lesão causadora da aterioesclerose.

O prognóstico é bom. O coração volta à normalidade totalmente e de forma espontânea após a fase aguda da doença. A recuperação costuma ocorrer no prazo de uma a quatro semanas e os índices de mortalidade variam de zero a 8% dos casos.

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