Hipertensão, Um Risco ao Coração

Quando se fala sobre doenças cardíacas, ela está sempre bem próxima, no papel de coadjuvante. A hipertensão – ou pressão alta, como é conhecida no dia a dia – pode ser resumida como um desequilíbrio no sistema circulatório causado pelo aumento na contração ou rigidez na parede das artérias, provocando maior pressão.
A doença é diagnosticada quando a pressão arterial é igual ou superior a 14 por 9, e pode causar problemas em uma série de órgãos, como artérias, rins, olhos, cérebro e, principalmente, coração.
Os casos de hipertensão vêm aumentando no Brasil, muito em função de hábitos como sedentarismo e alimentação inadequada, típicos da vida moderna. Entre 2006 e 2009, a taxa de brasileiros diagnosticados com hipertensão cresceu de 21,5% para 24,4%, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde por ocasião do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, celebrado em 26 de abril.
A preocupação com o avanço da doença fez o órgão lançar uma ampla campanha de mídia, com um site inteiramente dedicado a divulgar informações sobre a enfermidade, chamado “Eu sou 12 por 8” (www.eusou12por8.com.br) – em referência à taxa ideal da pressão arterial.
De acordo com informações do governo, a hipertensão está entre os fatores que mais vitimam no Brasil, à frente de câncer e de acidentes. E as mulheres devem prestar uma atenção especial durante e após a menopausa.
Segundo a Dra. Fernanda Consolim-Colombo, médica da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração (InCor), por diminuir a quantidade de estrógeno , que protege os vasos, a menopausa facilita o efeito da presença dos chamados fatores de risco, tais como tabagismo, sedentarismo, sobrepeso, obesidade (entre outros). Esses fatores de risco influenciam o surgimento de doenças do sistema cardiovascular, como a hipertensão arterial sistêmica, assim como de outras condições que são resultado da formação de placas de aterosclerose na parede dos vasos sanguíneos, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Além disso, a própria hipertensão é considerado um dos fatores de risco mais importante para o surgimento de tais doenças, além de, se não controlada, poder causar variados graus de insuficiência cardíaca
“Além da redução do estrogênio, diferentes sistemas de regulação da pressão arterial também podem influenciar o seu incremento, observado na menopausa: maior sensibilidade ao sal, aumento da atividade do sistema nervoso simpático, alterações na função da tireoide e dos seus hormônios”, explica a médica.
Aspectos emocionais
Aspectos emocionais e psicológicos próprios da menopausa também podem influenciar na chegada da hipertensão, aponta a Dra. Fernanda. “Cada vez mais se demonstra que a depressão é associada à doença cardíaca. E a menopausa é um período que propicia a depressão”, resume.
“Há uma ligação entre as emoções com o controle das funções do organismo por meio dos sistemas nervoso 'autônomo' (que não precisa do cérebro pra funcionar) e endócrino (funcionamento de todas as glândulas que produzem hormônios). Alterações prolongadas de humor, ou estados depressivos, alteram o funcionamento do organismo, alterando esses sistemas”, complementa a médica.
Para chegar aos tão desejados 12 por 8, a receita é simples e relativamente conhecida das pessoas: fazer exercícios regulares e alimentar-se de modo saudável, evitando principalmente o consumo de sal. As orientações valem para mulheres e homens, independentemente da idade, apesar de o risco de hipertensão aumentar segundo o avanço da faixa etária.
“A pressão arterial tende a se elevar com a idade. Porém, para quem tem estilo de vida saudável (mantém o peso, faz atividade física com regularidade, não fuma, consome baixa quantidade de sal e carboidratos), esse fenômeno ocorre em menor frequência. Ou seja, o efeito do envelhecimento parece ser compensado por um modo de vida saudável”, conclui a Dra. Fernanda.
Mandamentos
Conheça abaixo os 10 mandamentos para prevenção e controle da pressão alta, segundo o Ministério da Saúde:
- Meça a pressão pelo menos uma vez por ano.
- Pratique atividades físicas todos os dias.
- Mantenha o peso ideal, evitando a obesidade.
- Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras, com mais frutas, verduras e legumes.
- Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba.
- Abandone o cigarro.
- Para os pacientes hipertensos, uma mensagem fundamental: nunca pare o tratamento, é para a vida toda – o uso regular do tratamento prescrito e o bom controle da pressão arterial são essenciais para evitar as complicações da doença, como o infarto e o derrame.
- Siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde.
- Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer.
- Ame e seja amado.
* Com informações do site Eu sou 12 por 8, do Ministério da Saúde - www.eusou12por8.com.br




