Osteoporose, ameaça silenciosa à vida moderna

No dia a dia agitado da mulher moderna, uma ameaça silenciosa põe em risco seu bem-estar. Trata-se da osteoporose, caracterizada pela perda de massa óssea no organismo. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que 10 milhões de pessoas tenham a doença no país. Mas tão ou mais importante do que se alertar para essa incidência é ressaltar que a terapia de reposição hormonal e a adoção de hábitos mais saudáveis podem ajudar a enfrentar o problema.
“Cerca de 75% dos diagnósticos de osteoporose são feitos apenas quando ocorre uma fratura. A doença é silenciosa e se desenvolve na mulher sobretudo na menopausa, com a aceleração da perda de cálcio nos ossos”, afirma o ginecologista Ben-Hur Albergaria, presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
“A osteoporose é uma doença da modernidade. A expectativa de vida da mulher na década de 1950 era de 50 anos, aproximadamente. Hoje, chega a 80 anos. Não se viveria antes o suficiente para desenvolver a doença. Atualmente, passa-se quase três décadas de vida na menopausa”, completa.
O especialista, que também é pesquisador do Centro de Diagnóstico e Pesquisa de Osteoporose da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), acrescenta que, na menopausa, a mulher perde três vezes mais massa óssea do que o homem. Isso ajuda a explicar o fato de que, a cada quatro pacientes com osteoporose, três pertencem ao sexo feminino, ainda de acordo com o Dr. Albergaria.
Ao contrário do que acontece com os homens, a menopausa, sobretudo a partir dos 48 ou 50 anos de idade, marca uma interrupção abrupta da produção, pelo ovário, de hormônios, que têm entre seus efeitos garantir o acúmulo de cálcio nos ossos. “Com isso, traumas menores podem levar mais facilmente a fraturas, principalmente no punho, nas vértebras e no fêmur”, explica o especialista.
O pico de hormônios no corpo da mulher ocorre no fim da adolescência e no início da vida adulta. Para evitar a redução posterior, o tratamento de reposição hormonal é uma ferramenta muito bem desenvolvida e importante. “Trabalhamos com evidências sólidas de que o procedimento é um aliado extremamente poderoso na prevenção de perda de massa óssea e na redução dos riscos de fratura”, reforça o presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Febrasgo.
O Dr. Albergaria explica ainda que o melhor período para se iniciar o tratamento é durante a primeira década da menopausa. Mas a avaliação deve partir do ginecologista, profissional que adquire grande importância na detecção da osteoporose. “Como a mulher vai de forma mais fixa ao ginecologista, ele tem um papel fundamental no diagnóstico da doença”, avalia.
A ferramenta mais indicada para identificação da doença é o exame de densitometria óssea. “Trata-se de um procedimento não invasivo, que dura entre três e cinco minutos e permite indicar a doença anos antes. Na ocasião, avalia-se a quantidade de cálcio presente nos ossos, por meio de raio-X, com a paciente deitada em uma maca”, acrescenta o pesquisador da UFES.
Hábitos saudáveis
Mas não é só a menopausa ou mesmo a idade que podem ser apontadas como fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose. O Dr. Albergaria cita também dietas pobres em cálcio, pouca atividade física ou sedentarismo, baixa exposição à luz solar, além de tabagismo e consumo exagerado de bebidas alcoólicas.
“A dieta recomendada na pós-menopausa, por exemplo, prevê a ingestão de 1.200 mg de cálcio por dia. Isso pode ser obtido com leite (uma xícara do produto contém cerca de 300 mg do mineral) e derivados, e com vegetais de folha verde escura (couve, alface, agrião). Já no caso das atividades físicas, qualquer modalidade ajuda, direta ou indiretamente, a beneficiar a saúde do osso, evitando as quedas, elementos críticos da osteoporose”, completa.
Outro elemento importante nesse processo é a vitamina D, que tem a função biológica de promover a absorção do cálcio que ingerimos. “Vivemos hoje uma epidemia de deficiência desse composto”, alerta o especialista. “Cerca de 15 minutos de exposição ao sol, de três a quatro vezes por semana, ajudam a mudar esse panorama, pois a radiação ultravioleta, em contato com a pele, promove a produção da vitamina D”, conclui o pesquisador.




