Concepção sob controle

Para que o planejamento familiar seja bem-sucedido, é fundamental o casal ter a oportunidade de escolher qual o melhor momento para se ter filhos. E, para que isso ocorra, é necessário que a mulher adote um método contraceptivo eficaz. Entretanto, como escolher o mais adequado entre as inúmeras opções que a medicina oferece?
A ginecologista e obstetra Tereza Fontes alerta que o primeiro passo antes de tomar essa decisão é consultar um especialista. “Adotar um método anticoncepcional inadvertidamente pode trazer sérios danos à saúde. Por isso, a paciente deve discutir com o médico qual forma é mais adequada ao seu caso”, explica.De maneira geral, os métodos hormonais, especialmente as pílulas, são os mais utilizados. Isso ocorre em razão de sua praticidade, baixo custo, alta eficácia e boa tolerabilidade. Apesar dessas vantagens, alguns efeitos colaterais podem ocorrer, sobretudo no início do tratamento.
“Eles (efeitos colaterais) tendem a desaparecer com a continuidade. Caso isso não ocorra ou eles se tornem intensos, o médico deverá ser informado para ajuste da dose ou do tipo de hormônio, ou até mesmo para a troca do método sem que a paciente corra risco de engravidar”, diz a especialista.
É muito importante que a paciente não interrompa o tratamento sem consentimento do ginecologista, pois a taxa de gravidez não planejada é alta quando se abandona o medicamento por conta própria.
Os outros métodos hormonais, além da pílula, apresentam ainda algumas variações no modo de uso, bem como possuem mecanismos de ação que variam de acordo com o método. Já as contraindicações são semelhantes às das pílulas. Há vários tipos de métodos hormonais, tais como o anel vaginal, o adesivo, os injetáveis mensais ou trimestrais. A escolha deve ser feita com o médico após orientações sobre vantagens e desvantagens de cada método para cada mulher.
É importante que a utilização de qualquer um desses métodos tenha prescrição e receita médica. No caso dos injetáveis, por exemplo, isso é mais do que fundamental.
“A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) exige que as farmácias tenham instalações adequadas e profissionais habilitados para aplicação e descarte dos injetáveis, e esse método só poderá ser vendido e aplicado mediante receita médica”, explica a Dra. Tereza.
DIU e diafragma
Caso a paciente apresente alguma contraindicação ao uso de hormônios, ela pode recorrer ainda ao DIU (Dispositivo Intrauterino). Composto por plástico sintético com um fio de cobre na superfície, ele impede a fecundação por interferir na dinâmica dos óvulos e espermatozoides, e, dependendo do modelo, pode permanecer eficaz por 10 anos.
Entretanto, o DIU não deve ser usado em mulheres que apresentam um risco aumentado de infecções uterinas ou possuem um padrão menstrual com sangramento mais intenso, acompanhado de cólicas. Há ainda o SIU (Sistema Intrauterino), que, em vez de usar cobre, libera progesterona dentro da cavidade uterina.
Outra alternativa para a mulher é o diafragma, um anel flexível de borracha que cobre parte da parede vaginal e do colo uterino, funcionando como uma barreira à ascensão do espermatozoide. Porém, ele não protege contra a maioria das DSTs, pois parte do órgão feminino fica exposto na relação.
“É necessário que o médico meça o tamanho adequado do diafragma para cada paciente e ensine-as a manuseá-lo corretamente. Ao colocá-lo dentro da vagina, deve-se verificar se o posicionamento está correto. O método, no entanto, não pode ser usado por mulheres que tenham prolapso de bexiga ou de útero”, orienta a especialista.
Atualmente, o diafragma é um método pouco recomendado pelos médicos devido ao alto índice de falha para gravidez, bem como por não proteger contra as DSTs. A camisinha masculina apresenta um índice de eficácia maior no sentido de evitar a gravidez e proteção contra DSTs e AIDS. De toda forma, recomenda-se seu uso sempre em associação com os outros métodos hormonais.
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