Contracepção definitiva e sem arrependimentos

A medicina oferece diversos métodos contraceptivos para quem deseja escolher o momento mais oportuno de ter filhos. Entretanto, alguns casais preferem recorrer a uma medida definitiva, seja por acreditar que a família já está completa ou mesmo por motivos de saúde.
O importante, em todo caso, segundo a ginecologista e obstetra Tereza Fontes, é conversar com um especialista para evitar que o casal, após passar por esse procedimento, busque revertê-lo.
“É dever do profissional de saúde informar ao paciente a existência de todas as alternativas reversíveis e os critérios legais para a adoção dessa medida. Por isso, acima de tudo, é necessário que o médico utilize o bom-senso no aconselhamento”, diz.
Ela explica que a recuperação da fertilidade só é possível por meio de novas cirurgias, mas que a eficácia do procedimento fica condicionada à técnica utilizada e ao tempo decorrido desde a realização da laqueadura tubária ou vasectomia .
“Podemos dizer que a taxa de insucesso é muito alta. Por esse motivo, o método deve ser considerado irreversível”, afirma.
Para prevenir arrependimentos, a lei determina alguns pré-requisitos que o paciente deve apresentar antes de passar pelo procedimento, como ter capacidade civil plena. Além disso, a pessoa deve ser maior de 25 anos ou ter, pelo menos, dois filhos vivos.
De acordo com a especialista, o método definitivo mais simples e seguro é a vasectomia. Não requer internação e pode ser feita com anestesia local, sendo praticamente isenta de riscos ou efeitos colaterais.
“O procedimento consiste na oclusão do ducto deferente (interrupção do canal pelo qual passa a célula reprodutiva masculina), impedindo que os espermatozoides saiam do testículo e sejam eliminados pela uretra”, diz a Dra. Tereza.
Caso seja a mulher quem opte por se submeter à cirurgia, a alternativa é denominada laqueadura tubária, que consiste na oclusão da luz da trompa. A especialista diz, no entanto, que certos fatores devem analisados antes de se recorrer à operação.
“Essa cirurgia é mais indicada para as pacientes em que a gravidez traga algum risco mais sério à saúde ou que estejam em uma idade mais madura, com a prole completa e que não desejam ter novos filhos”, afirma.
Mito
Muitas mulheres, entretanto, ainda evitam a laqueadura por temerem efeitos colaterais. A ginecologista afirma que não há comprovação que os relacione ao procedimento. “Algumas pacientes relatam irregularidade menstrual, mas ainda faltam evidências científicas que comprovem isso.”
Atualmente, alguns hospitais públicos têm oferecido as cirurgias de laqueadura e vasectomia, levando o serviço a camadas da população que não tinham acesso a ele. Além disso, a legislação do País determina que os planos de saúde cubram os dois procedimentos médicos.
“Nos grupos que apresentam indicação para esse método, talvez essa seja a maneira mais efetiva de se evitar a gravidez não planejada e as falhas do uso prático dos outros modelos”, finaliza a especialista.




