Reposição Hormonal, Alívio Contra Sintomas da Menopausa

A menopausa, etapa que chega à vida da mulher normalmente entre os 45 e os 55 anos, é famosa pelo sentimento de calor e pelo fim das menstruações mensais. Mas outros fatores, ainda mais sutis e íntimos, modificam o corpo feminino, podendo ter consequências na vida sexual e provocar problemas ósseos e até cardíacos.
A causa da menopausa é a suspensão da atividade dos ovários. Isso reduz drasticamente as taxas de estrogênio, hormônio responsável pelo crescimento das mamas e pelo aumento da capacidade reprodutiva da mulher, entre outros fatores. Sem a substância, o corpo trabalha para se adaptar a uma nova realidade e sofre consequências físicas e psicológicas.
Uma das alterações mais comuns é observada na vagina, que sofre um processo de atrofia: torna-se ressecada, menos distensível, menos vascularizada (pouco irrigada pelo sangue) e perde lubrificação e sensibilidade. Também é frequente ocorrer dor durante a penetração, em um processo conhecido tecnicamente como dispareunia.
“Essas alterações tornam as relações não prazerosas, e, às vezes, a mulher evita momentos mais íntimos para não sentir dor”, avalia a ginecologista Maria Celeste Osorio Wender, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e médica do ambulatório de Climatério, Ginecologia Endócrina e Anticoncepção do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.
A mudança na vida sexual da mulher é o principal impacto da queda dos níveis de estrogênio. Não só pelos sintomas físicos, mas também por sintomas psíquicos como ansiedade, tristeza e irritabilidade. “As queixas mais comuns das mulheres do climatério (etapa em que ocorre a transição do período fértil para o não reprodutivo) são menor desejo sexual e menor lubrificação vaginal, ocasionados pela queda no estrogênio e por menor excitação”, atesta a Dra. Maria Celeste.
Uma excitação mais baixa está relacionada também à diminuição de um outro hormônio: o androgênio. “Sabemos que o androgênio se correlaciona com o desejo sexual, e a sua redução pode contribuir para uma menor libido neste período”, pontua a ginecologista.
A falta de estrogênio pode aumentar, paralelamente, a chance de problemas cardiovasculares, por diminuir a capacidade de distensão dos vasos sanguíneos e desequilibrar os níveis de colesterol. Além disso, menos estrogênio no corpo significa menos fixação de cálcio e consequente perda óssea, colaborando para aumentar os índices de osteoporose e elevar riscos de quedas e fraturas nas mulheres que já passaram da menopausa.
Terapia de Reposição Hormonal
Se o problema na pós-menopausa é a deficiência de hormônios, o tratamento utilizado busca, obviamente, a reposição deles. A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) consiste na administração constante de estrogênio, para compensar sua perda e melhorar os sintomas no corpo da mulher.
“A terapia hormonal restabelece o equilíbrio para quem tem sintomas decorrentes da falta estrogênica. A partir daí, a vida da mulher tende a sintonizar no ritmo que tinha antes desse período”, diz a Dra. Maria Celeste.
Devido a essa regularização, benefícios no humor e no bem-estar psicológico podem ser sentidos com a consequente diminuição das ondas de calor e da falta de sono. O uso de estrogênio pode proteger a mulher também dos efeitos da osteoporose, que faz com que os ossos fiquem enfraquecidos e sujeitos a fraturas. A vida sexual também é alvo do tratamento, que busca amenizar a falta de lubrificação vaginal.
O método mais comum de reposição hormonal é via oral, no qual a mulher toma pequenos comprimidos de hormônios diariamente. Há também outras formas, como por meio de adesivos na pele (trocados semanalmente), cremes (uso diário), anéis vaginais e, mais recentemente, foi criado um implante subcutâneo, com duração de seis meses.
Mas, para começar a fazer a TRH, é importante consultar um médico antes. “A terapia hormonal deve ser iniciada após avaliação do ginecologista, levando em consideração as condições de saúde, sintomatologia e o histórico prévio da paciente”, lembra a professora da UFRGS.
Prevenção, cuidados e hábitos saudáveis de vida parecem ser mesmo a chave para uma menopausa sem sustos. “Saúde física e emocional estão mais ao alcance sempre que o peso corporal é mantido dentro dos níveis normais, mantendo uma dieta adequada e saudável e praticando atividades físicas com regularidade”, receita a Dra. Maria Celeste. “A autoestima e a segurança são parceiras neste momento de transição”, conclui.






