Aos 50, cada vez mais moderna

Aos 50, cada vez mais moderna

Nascida em 1960 nos Estados Unidos, após cinco anos de pesquisas do biólogo Gregory Pincus, ela é considerada uma das grandes responsáveis pela revolução sexual feminina.

Já foi cantada em verso até por Odair José e costuma ser companheira diária de mais de 10 milhões de brasileiras, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Completando 50 anos de existência em 2010, a pílula anticoncepcional é o método contraceptivo mais usado no País, depois da tabela e da interrupção da relação sexual (coito interrompido).

De acordo com o ginecologista e professor de reprodução humana na Universidade Federal do Paraná (UFPR) Dr. Rosires Andrade, a primeira pílula anticoncepcional chegou ao Brasil em 1962, apenas dois anos depois de sua criação. “Até então, era hábito entre as mulheres realizar lavagem vaginal após o coito para retirada do sêmen. Hoje, sabemos que este método é ineficiente, pois, uma vez que tenha contato com o colo do útero, o espermatozoide age rapidamente”, explica o especialista.

No Brasil, 10,4 milhões de mulheres usam a pílula, segundo dados de 2006 da Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad), do IBGE.

Isso representa 22% das brasileiras de 10 a 49 anos. É o caso, por exemplo, da administradora Cristina Siqueira, de 24 anos, que utiliza o método desde a adolescência.Namorando há um ano e meio, a administradora se considera parte de uma geração mais autônoma. “Antes de ter filhos, eu desejo ainda comprar uma casa, fazer pós-graduação e morar uma temporada fora do País”, planeja. “Poder escolher quando serei mãe faz toda diferença”, avalia.

As pílulas anticoncepcionais são produzidas basicamente a partir de dois hormônios encontrados no corpo da mulher: estrogênio e progestógeno. As diferentes formas de combiná-los e de sintetizá-los é que geram a grande variedade de princípios ativos existentes.

As pílulas mais tradicionais são utilizadas por 21 ou 24 dias ao mês. No entanto, alguns medicamentos de fórmulas mais recentes, que têm apenas progestógeno, são administrados ininterruptamente e causam a suspensão da menstruação mensal da mulher. “Esse tipo normalmente é indicado a quem está amamentando”, esclarece Andrade.

As pequenas dosagens diária de hormônio proporcionadas pelas pílulas fazem com que o organismo interprete que a mulher está grávida e, portanto, não libere os óvulos. Como não há óvulos a serem fecundados, não há gravidez.

Na verdade, os benefícios da pílula vão muito além da contracepção. Ela auxilia também na proteção contra cistos e câncer no ovário, câncer de endométrio e cólica menstrual, destaca o professor da UFPR. E ainda há o efeito antiandrogênico, isto é, auxiliam no tratamento contra espinhas na face e pele oleosa.

Mitos e verdades

A evolução da pesquisa científica no campo contraceptivo permitiu a criação de pílulas com menores doses de hormônios, porém igualmente eficazes. Algumas, inclusive, diminuem a retenção de líquido no corpo, fato responsável pela má fama que as pílulas chegaram a ter: até alguns anos atrás, era senso comum achar que pílula engordava.

“A história de que pílula engorda é um mito”, afirma Andrade. Segundo ele, o que pode ocorrer é uma diferença na forma como o corpo de cada mulher assimila e absorve a pílula. “De modo geral, essas pílulas modernas não têm doses suficientes para alterar o peso da mulher”, afirma o ginecologista.

Se, por um lado, a crença de que pílula pode resultar em ganho de peso é mito, a de que sua combinação com cigarro pode até matar, infelizmente, não é. Isso ocorre porque a pílula altera fatores de coagulação e o fumo, por ser extremamente tóxico, altera os vasos sanguíneos e predispõe o sangue à coagulação. 

Assim, a mulher que fuma torna ainda maior a chance de sofrer complicações que ela já teria só por causa do cigarro, como infarto, derrame e trombose.

O perigo é ainda maior à medida que a idade aumenta. “Se a mulher tiver mais de 35 anos de idade e fumar, aumenta bastante a chance de morte por problemas cardiovasculares. E se a mulher de mais 35 - além de fumar - também tomar pílula, aumenta mais ainda”, detalha Andrade, aproveitando para fazer um esclarecimento: “a chance de trombose em função da pílula é extremamente baixa para a mulher que não fuma”. 

Para que esse e qualquer outro risco seja afastado, o aconselhável é visitar um médico antes de adotar o medicamento. De maneira geral, para uma mulher saudável não existe contraindicação formal ao uso da pílula. Apesar disso, podem existir alterações familiares ou específicas que a mulher desconhece e que só um médico pode descobrir. “Por isso, o ideal é a mulher fazer acompanhamento, de preferência com ginecologista na hora da escolha”, resume Andrade.

Redação Bayer HealthCare Pharmaceuticals

 

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