Sexualidade: Conversa Ainda é a Melhor Prevenção

Sua filha de 13 anos volta pra casa depois de uma festa e conta que “ficou” com um garoto da turma do colégio. Como você reage?
Em geral, essa revelação é capaz de deixar muitos pais em pânico. Mostra a realidade que nem sempre se quer enxergar: aquele bebê cresceu, agora as preocupações são outras e nesta etapa é necessário muita reflexão e serenidade para conversar e orientar.
A descoberta da sexualidade começa ainda na infância, quando a menina ou o menino percebe que tocar os genitais lhe traz uma sensação prazerosa. Um prazer que não termina nem na menopausa, segundo o ginecologista e sexólogo Gérson Lopes, coordenador do projeto “Sexualidade com Qualidade”, da organização não governamental Saber. “A sexualidade permeia a vida da pessoa desde o nascimento”, afirma. Mas ele destaca: “A manifestação genital de maneira mais intensa, mais assustadora do ponto de vista social e que traz mais dúvida e angústia, ocorre na adolescência”.
Para o Dr. Gérson Lopes, os pais que nunca se mostraram tranquilos na abordagem da sexualidade quando o filho ainda era criança terão ainda mais dificuldade depois. A criança, adverte, é capaz de perceber desde cedo se há espaço para conversar em casa sobre o tema. “A educação sexual começa pela postura dos pais”, explica o médico. “Se não há espaço para ela perguntar ou se as suas manifestações de sexualidade são sempre vistas como algo errado, a criança não vai ter abertura para dialogar com os pais durante a adolescência”. Se houver apenas repressão, adverte o especialista, os filhos não vão perguntar aos pais, mas aos amigos — o que pode ter efeito perigoso.
“Terceirizar” a educação dos filhos para a escola ou para a televisão é um erro que não pode ser cometido. Educar é função que cabe aos pais. As orientações devem ser simples, honestas e claras. Quando as dúvidas começarem a demandar respostas mais técnicas, o ideal é levar a filha ao ginecologista ou a um médico de confiança — Lopes sugere que isso aconteça por volta dos 10 aos 13 anos. O fundamental, de qualquer modo, é compreender o que é a adolescência e como funciona a sexualidade nesse período. “Quem tenta compreender não tem necessidade de controlar. Quem quer controlar não quer compreender”, diz o sexólogo.
Orientação
O início da vida sexual traz duas preocupações mais imediatas. Uma delas diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs. Mesmo as mais comuns — da gonorreia (geralmente caracterizada por ardência na vagina e secreção de muco purulento) à clamídia (caracterizada por dor ao urinar e corrimento de muco), passando pelo HPV — podem ser portas de entrada para outras ocorrências mais graves, como a infecção pelo HIV, vírus responsável pela Aids.
A segunda preocupação dos pais é com a gravidez precoce e não planejada. Já há alguns anos, entre os adolescentes, o verbo da moda é “ficar”. É a relação sem compromisso, frequentemente de uma noite só. O casal fica junto hoje, mas amanhã cada um está liberado para “ficar” com quem mais quiser. Esse comportamento, nos últimos tempos, vem envolvendo também o ato sexual — muitas vezes praticado sem responsabilidade, alerta Lopes.
Nesses e em qualquer caso, orientação adequada é fundamental — não apenas em relação às DSTs ou aos riscos de uma gravidez, mas também sobre as inseguranças e incertezas típicas do aprendizado sexual. No caso das meninas, isso inclui conscientizar sobre a possível dificuldade para chegar ao orgasmo. “É comum, pela inexperiência, que a menina não saiba se teve orgasmo ou não. Isso não é doença, só um problema transitório. Uma menina desorientada porque não tem orgasmo enquanto todas as amigas têm (mentira: dizem que têm) costuma se proteger menos”, alerta o especialista. Angustiados pelo que imaginam ser uma “falha”, os jovens acabam desenvolvendo uma sequência de fracassos e relaxam no que é mais importante: a prevenção.
A esse quadro de instabilidade e aprendizado junta-se o fato de que boa parte dos adolescentes tem aquele pensamento inocente de que nada de ruim vai acontecer com eles. Para Lopes, essa postura ingênua costuma ser reforçada pela bebida (outro fator de risco na adolescência) e pelos meios de comunicação (“na mídia, todo mundo faz sexo e ninguém engravida ou pega doença”, critica). Por tudo isso, a tendência atual é recomendar a prevenção dupla, ou seja, usar dois métodos contraceptivos ao mesmo tempo, com ênfase ao preservativo (“camisinha” masculina ou feminina).
Previna-se
O site do Ministério da Saúde mantém um espaço dedicado a informações sobre doenças sexualmente transmissíveis. Lá você encontra a relação das DSTs mais comuns, seus sintomas, as principais formas de contágio e prevenção.
Endereço: www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS8B526207PTBRIE.htm
“As opiniões emitidas nesta publicação são de seus autores e não refletem necessariamente as opiniões e recomendações da Bayer HealthCare Pharmaceuticals”
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