Os Cuidados Durante a Gravidez

Os Cuidados Durante a Gravidez

“Ser mãe é padecer no paraíso”, dizem. Talvez seja muito mais “florecer” do que “padecer”. Mas o percurso até lá é longo, surpreendente e agitado: nove meses separam mulher e criança do “éden”, a terra da felicidade.

Saúde e qualidade de vida são vitais nesse período em que pele, cabelo, emoções e hormônios mudam, deixando a mulher mais bonita e iluminada, mas também mais suscetível a desconfortos, inchaços e ganho de peso. Por isso, é muito importante ter um atendimento integral em saúde, contar com meios de informação e adotar práticas cuidadosas.

Essas preocupações começam antes mesmo de engravidar: para a mulher que está planejando ter filhos, especialistas aconselham a ingestão de ácido fólico. A função da substância, que pode ser encontrada no tomate, na couve e em frutas como caju e pitanga, é prevenir as malformações do tubo neural do feto, ou seja, da coluna, que resultam em anomalias graves como espinha bífida e lábio leporino, e outras eventualmente até incompatíveis com a vida, como, por exemplo, a hidrocefalia (água no cérebro, que obriga a criança a ficar com uma válvula para drená-la).

Com a gravidez confirmada, o acompanhamento pré-natal é o mais básico dos atendimentos que mãe e bebê devem receber. Começa assim que se descobre a gestação, com avaliação médica geral, exame ginecológico e papanicolau, exames de sangue para verificar tipagem sanguínea, se há anemia ou diabetes e se a mulher está imune a rubéola na gravidez, toxoplasmose e outras doenças infeciosas que podem causar malformação do feto.

Passada essa etapa, a futura mamãe deve visitar mensalmente seu obstetra, até o sétimo mês, quinzenalmente no oitavo e semanalmente no nono e último mês. Nos encontros, o médico faz exames clínicos, ultrassonografias e recomenda a realização de exames complementares, permitindo diagnósticos adiantados de possíveis problemas com a mãe ou  com a criança.

“Na 12ª semana, faz-se o exame de translucência nucal (análise da região posterior da nuca do feto), adotado como rotina há cerca de oito anos no Brasil, e que avalia o risco de haver alguma cromossomopatia. A mais conhecida delas é a Síndrome de Down”, explica o ginecologista e obstetra Dr. José Bento, autor do livro “Mulher & Saúde” e do guia “Saúde da Mulher”.

Segundo ele, outro exame complementar que vem sendo amplamente adotado é a ultrassonografia morfológica, feita por volta da 22ª semana para acompanhar a formação dos membros do bebê e verificar possíveis anomalias.

O obstetra, atuante nos hospitais paulistanos Albert Einstein e São Luiz, recomenda também que as gestantes sejam submetidas à ecocardiografia fetal, exame realizado em torno da 28ª semana de gestação, para averiguar se há alterações morfológicas congênitas do coração fetal. “A taxa de má formação congênita do coração – ou seja, a que nasce com a criança, independente da conduta da mãe - chega a 1% dos fetos”, explica Dr. Bento.

Mudança de Hábitos

Tão importantes quanto os procedimentos médicos são os hábitos das futuras mamães. As recomendações para a alimentação, por exemplo, são aquelas velhas conhecidas de todo mundo: não ingerir álcool, não fumar e evitar doces (para não ter aumento de peso maior que o recomendado, entre 9 e 12 quilos).

Uma boa pedida é abusar de frutas, verduras e peixe. “O peixe, especificamente, é muito importante, pois é rico em ômega 3, que protege o sistema nervoso central do feto. Pesquisas feitas nos Estados Unidos apontam que os filhos de mulheres que ingeriam ômega 3 durante a gravidez tinham, em média, 30% a mais de QI (Quociente de Inteligência), na idade pré-escolar”, detalha o Dr. Bento.

Mas atenção: os especialistas alertam para o cuidado com a culinária japonesa. O peixe cru precisa estar muito fresco e ter boa procedência, para não transmitir infecções e não conter metais pesados como, por exemplo, o mercúrio derramado em rios pelo garimpo.

Quanto a exercícios físicos, as recomendações também são simples. Nada de ficar parada e sedentária, como na época de nossas avós. Mas também nada de querer se tornar atleta durante a gravidez. “O exercício físico deve ser moderado, de baixo impacto, com uma hora de atividade, três vezes por semana”, receita o obstetra, aconselhando atividades dentro da água, que causem menor impacto e tirem o peso da força da gravidade, como natação e hidroginástica. Outras boas opções são ioga, caminhada e ginástica localizada.

Já corrida, aulas de jump, de step e outras atividades de alto impacto devem ser evitadas. A preocupação se explica: “Esses exercícios podem comprometer a gravidez e trazer malefício pelo impacto dentro do abdômen, causando, inclusive, descolamento de placenta nos primeiros meses de gravidez”, explica o médico.

Além desse risco, exercícios vigorosos podem provocar também torções e lesões nas articulações. “Na gravidez, há um amolecimento das articulações. Isso se deve a um maior acúmulo de líquidos no corpo. Há mais líquido também nas articulações, que ficam mais instáveis, facilitando torções no pé e no joelho”, ensina o especialista.

Com o exercício moderado, aumenta o fluxo de sangue para o feto. Fica mais fácil também para a mãe enfrentar as diversas mudanças que acontecem no seu corpo durante os meses de espera. E estas não são poucas. Passam por, no início e na metade da gravidez, pressão arterial mais baixa e por inchaço em membros inferiores e dores articulares (principalmente na mão e no braço), chegando a deslocamento ou diminuição do ritmo de funcionamento do intestino, compressão da bexiga e restrição da amplitude de respiração, ocasionados pelo aumento do útero ao final da gravidez.

Cuidados com a Pele

Mas uma das regiões em que a gravidez mais se mostra – literalmente – é a pele. O aumento de melanócitos (células que produzem melanina) no corpo pode levar ao aparecimento de manchas na pele, especialmente quando se toma sol sem proteção. O mamilo também escurece e a preparação para torná-lo mais resistente para amamentação deve ser intensificada já em torno da 26ª semana, ainda segundo o Dr. Bento.

A mama aumenta consideravelmente durante a gestação e a amamentação. Esse ganho de volume provoca distensão do tecido mamário e, depois que a criança abandona o leite do peito, a mama tende a ficar mais flácida, no processo conhecido como "pitose mamária". Essa é uma das alterações mais temidas pelas mulheres, só igualada pelo temor de estrias e de flacidez na barriga.

As estrias aparecem em função da distensão das fibras da pele, especialmente no abdômen e nos quadris, onde há maior aumento de peso e volume. A prevenção é possível e fácil: basta hidratar muito bem a pele e evitar aumento excessivo e abrupto do peso. Já a flacidez da barriga no pós-parto ocorre pelo mesmo motivo da queda das mamas: distensão de tecidos. Para voltar ao normal, o ideal é fazer exercícios localizados.

O aumento de hormônios durante o período também acarreta mudanças variadas. "A mulher fica mais bonita, mais vistosa, o cabelo fica mais bonito, tem brilho maior no olho, a pele fica melhor", ressalta o Dr. Bento.

As alterações hormonais, por outro lado, são responsáveis pela fama de que as mulheres ficam mais sensíveis. E, às vezes, isso realmente acontece.

"Para mim, o que mais mudou foi, sem dúvida, o emocional, apesar de dizerem que grande parte dessas mudanças emocionais tem fundo fisiológico", conta a publicitária Ana Antoniazzi, de 31 anos. "A gestação foi muito tranquila. Quase não tive enjoos, inchaço. Só muito sono, mas com calma e programação, dá pra levar o trabalho numa boa", lembra.

Ana conta que trabalhou até a 38ª semana, a partir da qual o bebê já estaria pronto para nascer. O parto pode ocorrer até a 42ª semana, porém, a 40ª é considerada a ideal.

E, quando chega a hora, que parto escolher? Para ajudar a tirar a dúvida, o Dr. Bento esclarece: "Os nascimentos podem ser de dois tipos: operatório e vaginal". O operatório é a corriqueira cesariana, modalidade mais adotada no Brasil, em alguns casos por indicação médica e, em outros, porque as grávidas não querem sentir dor ou preferem escolher a data de nascimento do neném. O importante é conversar com o obstetra sobre o que é mais indicado para cada mulher.

Já o parto vaginal, ou "parto normal", é a forma considerada mais natural, realizada nas salas de parto de hospitais, com auxílio médico. Há algumas variações adotadas por uma minoria de uns anos para cá. O Dr. Bento não aconselha: "Parto na água, de cócoras - tudo isso é folclore e não faz parte da boa referência obstétrica", conclui.

Redação Bayer HealthCare Pharmaceuticals