Menopausa sem medo

A mulher que chega aos 50 anos não precisa temer o fantasma da menopausa, mas também deve lembrar que o momento exige alguns pequenos cuidados no dia a dia. É madura o suficiente para entender que seu corpo passa por transformações importantes e sabe que, com informação e orientação apropriadas, pode continuar levando uma vida de qualidade.
Para a psicóloga Helenice Lima, de 66 anos, a menopausa tem sido o período de aproveitar as experiências acumuladas e realizar, com mais autonomia, tudo que muitas vezes foi adiado ao longo da vida. Sua experiência vem mostrando que “essa fase é marcada por muitas mudanças físicas, hormonais, emocionais e psicológicas” e que “é necessário cuidar da saúde física, psicológica e espiritual”.
A aposentada Ziara Bittencourt, de 64 anos, não faz por menos. Caminha no parque pela manhã, pratica ginástica duas vezes por semana, frequenta grupos de reike (método de terapia natural com uso das mãos), esoterismo e atendimento espiritual, faz pintura em seda e não abre mão de um cineminha ou de uma viagem sempre que pode. “Essa etapa abre a possibilidade de mais estudos, independência financeira e voz ativa”, afirma.
Tanto Ziara quanto Helenice já fizeram terapia de reposição hormonal para enfrentar os calores, as oscilações de humor e o ressecamento da pele, sintomas bastante comuns na menopausa, que decorrem do fim da produção do hormônio estrogênio. Elas sabem que os primeiros passos para a qualidade de vida, especialmente nesse período, são uma alimentação saudável e o cuidado com o corpo.
O ginecologista Dr. César Eduardo Fernandes, professor da Faculdade de Medicina do ABC, defende a terapia hormonal, mas destaca: é fundamental manter hábitos saudáveis. “O tratamento farmacológico é o último item. O carro-chefe é a responsabilidade com a saúde. Isso significa alimentação adequada, menos calorias – pois as mulheres ganham peso naturalmente após a menopausa – e atividade física regular.”
O médico sugere reduzir o consumo de gordura animal e ingerir leite desnatado — que diminui o risco de aterosclerose (doença inflamatória crônica causada pela presença de placas de gordura) e tem cálcio, importante para combater a osteoporose (doença que fragiliza os ossos). Já a atividade aeróbica ajuda a manter o tônus muscular, que tende a diminuir com a idade. “Se isso tudo for combinado com a terapia hormonal, podemos ter grandes resultados”, garante.
A reposição hormonal é hoje um método muito eficaz e seguro para reduzir os efeitos da menopausa, segundo o ginecologista. O fato de esta ser um fenômeno natural na vida da mulher não significa que a medicina deva aceitar passivamente as suas consequências, argumenta. “A redução da capacidade visual com a idade, por exemplo, é uma coisa natural, mas a medicina trata de minimizar o problema, diminuindo o desconforto que isso provoca. Por isso a gente também procura tratar a menopausa. Mas a reposição deve começar no momento oportuno, analisando caso a caso”, adverte.
Para quem fala em riscos, ele lembra que é mínima a possibilidade de contrair câncer de mama ao longo do tratamento. “Se hoje analisarmos 10 mil mulheres na faixa de 50 a 70 anos em relação ao risco de terem câncer de mama daqui a um ano, teremos apenas 30 casos”, afirma.
Aquelas que, ainda assim, preferirem alternativas podem recorrer a fármacos antidepressivos, que atuam sobre o sistema nervoso central e estabilizam a perda de calor. Ou aos fito-hormônios, derivados da soja, que têm propriedade semelhante, “mas não têm efeitos da mesma magnitude da terapia hormonal”, pondera Fernandes.
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Fonte: César Eduardo Fernandes, professor da Faculdade de Medicina do ABC.
Redação Bayer HealthCare Pharmaceuticals




