Prevenir o Câncer de Mama Ainda é o Melhor Remédio

 Prevenir o Câncer de Mama Ainda é o Melhor Remédio

Foram cinco anos de incertezas e tratamento, mas hoje a assistente social Noêmia de Oliveira Carvalho Sé está curada de um câncer de mama. Passou por nove cirurgias, fez mastectomia (retirada da mama afetada pela doença), submeteu-se a oito sessões de quimioterapia e a 28 de radioterapia.

Durante esse tempo todo, jamais se lamentou. “Nunca passei a imagem de coitada. Encarei a doença de cabeça erguida”, afirma. E agora, aos 55 anos, leva uma vida normal.

Casos como o de Noêmia não são incomuns. Por isso, é importante ficar atenta ao próprio corpo, consultar o médico regularmente, fazer os exames de rotina e, principalmente, investir em prevenção. Para o ginecologista César Eduardo Fernandes, professor da Faculdade de Medicina do ABC, o maior vilão é o descompromisso com a própria saúde.

“Todos somos reféns do nosso determinismo genético”, explica. “A gente nasce com um carimbo genético que nos predispõe para determinadas doenças. Mas nós podemos retardar esses eventos ou minimizá-los”, completa. Para que isso aconteça, são necessários informação e hábitos saudáveis — prática regular de exercícios e alimentação adequada, com uma dieta de baixo valor calórico e pobre em gordura animal.

Alguns cuidados mais específicos podem variar de acordo com a faixa etária. Uma adolescente deve receber orientações sobre iniciação sexual, de modo que possa iniciar sua vida sexual com segurança, evitando gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres adultas, de forma geral, devem ser preparadas para uma gravidez saudável. A partir dos 40 anos, o leque de precauções se amplia, pois é mais comum a incidência de miomas uterinos ou de adenomiose (doenças do útero capazes de ocasionar dor pélvica, cólicas e sangramentos irregulares, podendo levar à anemia).

Ao se aproximar da menopausa, a partir de meados da 4ª década de vida, há uma maior incidência de hipertensão, diabetes, hipotireoidismo e obesidade, além de  eventos cardiovasculares. Também aumenta o risco de osteoporose, perda gradual de cálcio que enfraquece os ossos.


Fique Atenta


Algumas doenças ditas contemporâneas, apesar de não muito comuns, são potencialmente perigosas. Nesse caso, o melhor conselho é prestar atenção. Uma delas é a anorexia alcoólica (marcada pela utilização compulsiva do álcool para amenizar a fome), que ficou em evidência ao ser abordada na novela “Viver a Vida”, da TV Globo.

Outra é a síndrome do ovário policístico, que pode acometer entre 5% e 10% das mulheres em idade reprodutiva, diminuindo com a chegada da menopausa, pela redução da função ovariana. Cursa com ovulação irregular, causando atrasos na menstruação e outros sinais e sintomas. As consequências são, em geral, aumento da oleosidade da pele, transtornos de fertilidade, obesidade e até a síndrome metabólica, caracterizada por obesidade acompanhada de hipertensão, diabetes e alteração de colesterol, potencializando o risco de  eventos cardiovasculares.

Para prevenir o avanço dessas e outras doenças, o Dr. César Fernandes recomenda expressamente a visita anual ao médico – única pessoa capaz de avaliar caso a caso e recomendar exames e procedimentos. Há, no entanto, alguns cuidados obrigatórios. “A partir dos 40 anos, a mulher deve fazer mamografia a intervalos anuais ou bianuais, conforme seu grau de risco. Depois dos 50, essa periodicidade deve ser anual. A partir dos 50, também é importante a densitometria óssea, que verifica a redução de densidade óssea ou osteoporose. E em qualquer momento, na idade adulta, é preciso fazer o “papanicolau”, para prevenção do câncer de colo de útero a cada dois anos”, diz ele.

Foi exatamente esse cuidado básico que deu a Noêmia a chance de se curar. “Fui ao ginecologista para um exame de rotina e ele me pediu a mamografia, que acusou algum problema. Uma biópsia cirúrgica mostrou que era um tumor maligno”. Tratado a tempo, o câncer foi vencido.