
Irregularidades no ciclo menstrual, pele oleosa, acne, queda de cabelos, aumento de peso e de pêlos podem caracterizar a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que atinge de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva (11 aos 45 anos). É uma doença endócrina que ameaça a fertilidade feminina, podendo causar também resistência à insulina, diabetes e doenças cardiovasculares.
Sérgio dos Passos Ramos, especialista em ginecologia e obstetrícia, explica que os ovários não conseguem completar o ciclo de ovulação. Desenvolvem o folículo, mas esse não cresce. O óvulo não é eliminado e acumula no organismo, formando algo parecido com um cachinho de uvas. “A mulher pode menstruar todo mês e mesmo assim não ter ovulação”, revela.
Os ovários também sofrem a influência da insulina, que tem como função transportar a glicose do sangue para dentro das células e abastecê-las com energia. A pessoa que está fora do peso geralmente tem resistência à insulina e vai precisar de maior quantidade do hormônio. Isso estimula a produção de hormônio masculino nos ovários, favorecendo o aparecimento de pêlos em regiões em que normalmente não existem (queixo, acima do lábio superior, seios e baixo ventre).
Para diagnosticar a Síndrome, basta que a mulher apresente dois dentre os sintomas:
Mulheres que apresentam apenas sinais de ovários policísticos ao realizar o ultra-som, sem que haja desordens de ovulação ou hiperandrogenismo, não devem ser consideradas portadoras da SOP.
Segundo Ramos, a SOP é a síndrome da mulher que ainda não teve filhos e a tendência é que o adiamento da maternidade aumente. No histórico feminino, a mulher engravidava cedo, por volta dos 16 ou 18 anos.
Exames necessários e tratamento
Todas as mulheres devem fazer acompanhamento ginecológico periódico (pelo menos uma vez por ano). O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos é feito através de ultra-som pélvico e exames clínicos e laboratoriais.
A SOP causa a infertilidade na maioria dos casos, devido à dificuldade ou à falta de ovulação. No tratamento, o médico vai definir se existe o desejo da paciente engravidar, o que pode ocorrer mesmo com a síndrome. Em geral, é indicado o uso de anticoncepcionais orais (pílula), que diminuem o aparecimento de pêlos, espinhas, cólicas ou mesmo o aumento de peso. “O uso da pílula reduz em 40% as chances de câncer de endométrio e de ovário”, conta Ramos.
Caso a mulher queira engravidar, pode ser necessário o tratamento de fertilização assistida (in vitro).
Dietas com baixas calorias e ingestão de pouca gordura interferem no tratamento da SOP, já que favorece a perda de peso e mudam o quadro de resistência à insulina.
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17 jul 2008
Dr. Sérgio dos Passos Ramos médico especialista em Ginecologia e
Obstetrícia, formado na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP |