“MEU MARIDO NÃO VAI AO MÉDICO!”

Seu marido só vai ao médico se você marcar uma consulta? E só vai à consulta se você for junto? Saiba que você não é a única. Segundo pesquisa do Centro de Referência em Saúde do Homem, unidade da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 70% dos homens vão às consultas médicas acompanhados das mulheres ou dos filhos.

 

Ricardo Duarte, 40 anos, representante comercial, é um exemplo. Ele conta com a ajuda da esposa, a projetista de móveis Roberta Mizukosi, de 34 anos, para pesquisar e agendar consultas, sem falar que é ela quem o lembra de tomar os remédios. “Também gosto quando ela vai às consultas comigo, me traz conforto”, revela.

 

E Roberta também incentiva o marido a acompanhá-la quando vai se exercitar, seja correndo no parque ou na academia do prédio onde moram. “O Ricardo não gosta de ir ao médico; se eu não marcar, ele nunca vai. Nas ocasiões em que tomou a iniciativa, o caso já estava mais grave”, declara.

 

A exemplo de muitas mulheres, Roberta não se importa em ajudar o parceiro a cuidar da própria saúde, mas acha que ele deveria ser mais ativo nesse aspecto, pois algumas vezes ela não tem tempo de marcar e nem de acompanhá-lo. “Meu marido gosta de se sentir cuidado, mas acho que está acomodado.”

 

E por que os homens têm mais dificuldade para cuidar da saúde do que as mulheres? O Dr. Rodrigo da Rosa Filho, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, comenta que, culturalmente, as mulheres foram educadas para ir ao ginecologista para exames de rotina desde a adolescência, mas os homens só vão ao médico quando têm alguma queixa, e não fazem check-ups regulares. “Eles têm mais medo de descobrir alguma doença, mesmo sabendo que o diagnóstico precoce pode levar ao tratamento. É o famoso pensamento ‘se eu não procurar, não vou achar algo ruim’”, expõe.

 

Para a psicóloga Raquel Jandozza, muitos consideram o fato de ir ao médico preventivamente como algo dispensável ou adiável. Ela diz que essa negligência em relação à própria saúde deve-se, muitas vezes, à compreensão distorcida de certos aspectos sobre saúde e doença – a primeira relacionada à virilidade e a outra, à fragilidade. “Assim, assumir-se doente seria como se assumir frágil”, comenta.

 

Por vezes, continua a psicóloga, os homens só procuram atendimento médico quando seu quadro clínico se agravou muito, até um nível insuportável. “Nesses termos, não significa que o homem que tolerou até este limite foi ‘forte’. Pelo contrário, essa atitude pode ser considerada uma fraqueza, pois geralmente é pautada pela falta de entendimento e por orgulho. É comum negligenciar e não valorizar os sinais orgânicos e, não raras vezes, fazer o mesmo com os insistentes conselhos familiares”, explica.

 

O psicólogo e especialista em Homeopatia e Acupuntura Dr. Roberto Debski lembra que devido a esse comportamento negligente, os homens morrem antes das mulheres e têm maior incidência de doenças crônicas não transmissíveis.

 

De acordo com ele, quanto mais machista e patriarcal for a cultura na qual o homem está inserido, menos disponível ele estará para mostrar a fragilidade da sua condição humana e mais frequentemente evitará buscar ajuda médica ou psicológica “Normalmente isso ocorre em todo o mundo, com mais incidência nos locais onde o nível de educação e cultura é menor”, ressalta.

 

Papel da mulher

 

No ano passado, o Ministro da Saúde Ricardo Barros, fez uma afirmação polêmica: disse que os homens procuram menos atendimento para a saúde porque “trabalham mais do que as mulheres e são os provedores” das casas brasileiras.

 

Para o Dr. Roberto, esta foi uma fala infeliz. Afinal, as mulheres também são provedoras do lar e desempenham uma segunda jornada de cuidados com a casa e os filhos, o que muitas vezes os homens não fazem. “Hoje em dia, o tempo é raro para ambos, e o ditado popular tem razão ao afirmar que quanto mais tarefas temos, mais tempo arrumamos quando necessário.”

 

De acordo com Raquel, a afirmação do ministro constitui uma das desculpas mais frequentes dos homens. Por julgar que trabalham mais do que as mulheres, se esquivam da responsabilidade de se cuidar. “Seja por medo, desconforto, negligência ou desinformação, o fato é que uma série de fatores e situações podem ser potencializadas como justificativa para evitar a consulta médica, seja para prevenção ou tratamento”, declara.

 

A melhor forma de ajudar

 

A costureira aposentada Maria Lina Bettiol, de 58 anos, ajuda a cuidar de toda a agenda de consultas da família, principalmente do marido, Aparecido Bettiol, agricultor, de 61 anos. O casal mora em Sabino, cidade do interior de São Paulo. Maria Lina conta que, com a ajuda do genro, chegou a levar os exames dos rins do marido a São Paulo para que uma médica do Hospital das Clínicas desse uma olhada, mesmo sem ver o paciente. “No final, deu tudo certo! Ele faz o tratamento. Mas exame de próstata ele não vai fazer de jeito nenhum… nem se for morrer. Vou fazer o quê?”, lamenta.

 

Para aquelas que querem ajudar seus maridos a cuidar mais da própria saúde, o Dr. Rodrigo aconselha conversar com eles sobre a importância do diagnóstico precoce para a maioria das doenças, do impacto das doenças crônicas tais como hipertensão, obesidade e diabetes na qualidade e expectativa de vida.

 

Os homens estão mais propensos do que as mulheres de sofrer hipertensão, diabetes mellitus, infarto e AVC. Deveriam fazer exames periódicos de controle de peso, pressão arterial e laboratoriais. “Para prevenção do câncer de próstata, aqueles que estão acima de 50 anos de idade deveriam consultar o urologista anualmente”, lembra o médico, acrescentando que o principal impacto da demora para o diagnóstico é o agravamento das doenças ou a impossibilidade de cura.

 

Raquel ensina que o primeiro passo para ajudar o parceiro é responsabilizá-lo pelo autocuidado. “Aos familiares, esposa, filhos e amigos cabe sinalizar a importância da conscientização que tanto homens quanto mulheres devem ter acerca da eficiência da prevenção, bem como estimular com urgência a reformulação do conceito de ‘masculinidade’ para que os homens possam refletir e aceitar com mais naturalidade suas fragilidades físicas e emocionais”, salienta.

 

De acordo com a psicóloga, a conjuntura dos fatos, lamentavelmente, tem designado às mulheres o posto de principais cuidadoras dos homens. Por isso torna-se cada vez mais importante tentar envolve-los individualmente no cuidado da própria saúde. Cada indivíduo responde por si.

 

Ela aconselha às mulheres a repensar o quanto elas têm contribuído para a manutenção desse comportamento masculino e tão logo percebam sua influência, devem refletir e se posicionar de forma que, junto com o parceiro, possam encontrar maneiras para que o autocuidado seja uma responsabilidade de ambos, no mínimo. “Romper com tais paradigmas é urgentemente necessário”, avisa.

 

Na opinião de Raquel, apesar desses fatos muitos homens já vêm adquirindo essa responsabilidade. “Principalmente devido às muitas mudanças culturais que, direta ou indiretamente, influenciam a concepção social de ‘masculinidade’. Cada vez mais a sociedade tem repensado as questões de gênero, o que tem lançado luz sobre discussões importantes que visam a desconstruir um modelo distorcido, que destaca aspectos em que a ‘potência’ masculina passa a ser um risco para os próprios homens”, salienta.

 

Dr. Roberto acredita que quanto mais campanhas educativas, conscientização da população e exemplos positivos houverem, menos os homens apresentarão resistência aos exames de saúde de rotina e à busca de cuidados médicos.

 

Fontes:
– TERRA SAÚDE. Estudo: 70% dos homens vão ao médico acompanhados das mulheres. Disponível em: https://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/estudo-70-dos-homens-vao-ao-medico-acompanhados-das-mulheres,1b621c8f8bfaf310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html - Acessado em 11.02.2021.
– Dr. Rodrigo da Rosa Filho, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, um dos idealizadores da Clínica Mater Prime. CRM 119789, São Paulo/SP.
– Raquel Jandozza, psicóloga. CRP 06‍/‍106323, São Paulo/SP.
– Dr. Roberto Debski, médico especialista em homeopatia e acupuntura, CRM 58806, São Paulo, SP. Psicólogo, CRP/06 84803. Coach e Master Trainer em Programação Neurolinguística.

PERGUNTAS FREQUENTES

Pílula anticoncepcional engorda?

Essa é uma dúvida de muitas mulheres que pensam em tomar pílula. A resposta é não. Tomar pílula anticoncepcional não engorda. O que acontece é que os hormônios presentes em muitas delas podem favorecer a retenção de líquidos que acabam provocando o inchaço corporal, mas isso varia de organismo para organismo e de pílula para pílula. Quanto menos hormônio, menos efeitos colaterais o medicamento provoca. Algumas pílulas podem provocar mais retenção de líquidos que outras, dependendo do tipo de hormônio que ela contém. 

É normal me sentir enjoada, com desconforto nos seios e ter sangramentos (spotting) quando comecei a tomar pílula?

No início do uso da pílula anticoncepcional é comum ocorrerem alguns desconfortos como enjoo, incômodo nos seios e pequenos sangramentos. Recomenda-se não tomar a pílula de estômago vazio para amenizar estes sintomas. Sobre os sangramentos de escape ou spotting são mais comuns em mulheres que usam pílulas com baixa dosagem hormonal, que no início ainda não fornecem estímulo hormonal suficiente para cicatrizar a camada interna do útero logo após o término da menstruação. Esses sintomas variam de mulher para mulher e devem cessar em poucos meses, pois trata-se de um processo de adaptação do corpo ao hormônio que está sendo ingerido, e isso é normal.  Caso esses sintomas não desapareçam em três meses, procure seu ginecologista.  

Onde posso saber mais sobre o DIU Hormonal?

Para saber mais sobre o tratamento com o DIU Hormonal, consulte seu médico. Ele poderá fornecer informações adicionais a você e a seu parceiro.

Quando não devo usar o DIU Hormonal?

O DIU Hormonal não deve ser utilizado na presença de qualquer uma das condições descritas a seguir:

  • Doença inflamatória pélvica atual ou recorrente (infecção dos órgãos reprodutores femininos);
  • Ocorrência ou suspeita de gravidez;
  • Infecção do trato genital inferior;
  • Infecção do útero após parto;
  • Infecção do útero após um abortamento ocorrido durante os últimos 3 meses;
  • Infecção do colo do útero;
  • Anormalidades celulares no colo do útero;
  • Ocorrência ou suspeita de câncer do colo do útero ou do útero;
  • Tumores que dependem do hormônio progestógeno para se desenvolver;
  • Sangramento vaginal anormal não diagnosticado;
  • Anormalidade do colo do útero ou do útero, incluindo leiomiomas, se estes causarem deformação da cavidade uterina;
  • Condições associadas com aumento de susceptibilidade a infecções;
  • Presença de doença hepática ou tumor hepático;
  • Hipersensibilidade ao medicamento ou a qualquer constituinte do produto.
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