Planejamento Familiar

Tendo tomado a decisão de começar uma família ou ter outro filho, os casais se deparam com uma série de considerações que precisam ser discutidas, acordadas e implementadas durante o planejamento de um novo futuro.

Planejamento familiar significa obter a informação correta para tomar decisões informadas sobre o futuro: como mudar um local familiar, como mudar a vida de uma mulher e como cuidar de sua saúde sexual e reprodutiva, tanto antes da gravidez como após o novo filho ter nascido. O planejamento familiar eficaz oferece uma ampla gama de benefícios para a mulher, sua família e a sociedade como um todo.1

As dicas e sugestões dadas abaixo fornecem orientações em planejamento familiar para aqueles que estão expandindo sua família, porém não substituem a orientação do seu médico.

1 Não existe um “momento perfeito” para outro filho

Cada família é diferente e terá seu próprio tempo adequado para se expandir e ter mais filhos. A orientação médica é que a melhor idade para engravidar é dos 20 aos 35 anos, quando as mulheres são mais férteis,2, mas isso pode não se ajustar ao plano individual de cada família. As gestações em mulheres com mais de 35 anos estão aumentando1, já que mais e mais mulheres estão adiando a gravidez com o intuito de continuar sua carreira e educação. Cada família deverá avaliar todos os diversos fatores e chegar a um acordo sobre o seu próprio tempo adequado.

Uma importante consideração é a idade e a saúde física da mulher. Os estudos têm demonstrado que a capacidade de uma mulher espaçar e planejar a gravidez afeta a sua saúde e bem-estar.1 Espaçar a gravidez em aproximadamente 3 a 5 anos tem mostrado um impacto positivo sobre a saúde da mulher e da criança.3 Encontrar a contracepção para o estilo de vida de cada mulher desempenha um papel importante neste planejamento. Os contraceptivos reversíveis de longo prazo, como por exemplo, um sistema intrauterino liberador de hormônio (SIU), um dispositivo intrauterino de cobre (DIU) ou um implante hormonal são alternativas a serem consideradas que proporcionam proteção contraceptiva altamente eficaz, de longa duração, no entanto, não tem efeito sobre a fertilidade quando removido, permitindo tranquilidade ao planejar a chegada de mais um filho.

2 Preparando o corpo novamente para a maternidade

A mulher deve considerar cuidadosamente a sua saúde e seu condicionamento físico geral ao pensar em expandir sua família. Manter um peso saudável é fundamental. Estar abaixo do peso ou com sobrepeso pode significar que uma mulher vai enfrentar problemas para conceber.4
Uma dieta equilibrada é importante para garantir que a mulher tenha todos os nutrientes e minerais necessários para a melhor chance de concepção e uma gravidez saudável. Uma atenção especial deve ser dada às vitaminas e minerais, como ácido fólico, que são vitais para a função reprodutiva e para a prevenção de defeitos congênitos.5

Outros fatores, como o tabagismo e o consumo de álcool, também deverão ser revistos antes de engravidar. Consulte um médico que fornecerá a melhor orientação para preparar seu corpo para a gravidez.

3 Coisas a considerar caso a concepção não ocorra imediatamente

É importante ressaltar que nem todas as gestações são iguais, mesmo que a mulher já tenha filhos. Até 30% dos casais que tentam ter um filho podem fazê-lo no primeiro mês, no entanto, outros podem levar mais tempo, por isso os casais devem ter expectativas realistas6 e não devem se desesperar se não acontecer rapidamente. Para aumentar as chances de concepção, é importante entender o ciclo menstrual e os momentos mais férteis do mês. Isto pode ser feito através do monitoramento das alterações no muco cervical, ou utilizando um kit de ovulação disponível em farmácias.6 Dessa forma, os casais podem programar as suas relações íntimas, de acordo com o exposto acima. O método contraceptivo utilizado antes das tentativas de concepção também deve ser levado em conta. Os casais que usam um método que permite retorno rápido ou imediato à fertilidade quando suspenso, terão maiores chances de concepção, esses métodos também significam que os casais podem planejar de forma eficaz o momento certo para ter mais filhos, caso desejam expandir sua família no futuro.

4 Estresse e uma mentalidade adequada para a concepção

Tentar conceber uma criança pode ser estressante, e o estresse pode ocasionalmente causar distúrbios na ovulação e falta de sangramento menstrual, o que significa que a concepção pode ser mais difícil.7 Isto é causado pelos efeitos que o estresse tem sobre o cérebro, afetando os hormônios produzidos pela glândula hipófise e pelos ovários. 7 Uma dica simples para superar o estresse é realizar atividades agradáveis. Estas podem ser realizadas como um casal ou individualmente. Passatempos relaxantes como meditação ou yoga oferecem o tempo para o relaxamento total, além do exercício ou algo tão simples como ir ao cinema ajuda os casais a relaxarem e afastarem o estresse de pensar na concepção.

Este tempo de relaxamento que os casais podem passar juntos deixa a intimidade agradável, ocorrendo regularmente e em sincronia com o ciclo menstrual da mulher, a fim de ter as melhores chances de concepção.

Em resumo, existem muitas dicas para quando os casais estão planejando começar ou aumentar uma família. Elas devem ser avaliadas cuidadosamente e uma perspectiva tranquila e equilibrada sobre uma nova fase emocionante e gratificante em suas vidas.

5 Usar um contraceptivo que permita o retorno imediato à fertilidade

Alguns dos contraceptivos reversíveis de uso prolongado são alternativas atraentes a serem consideradas, visto que eles proporcionam proteção anticoncepcional duradoura e oferecem um retorno imediato à fertilidade assim que retirados:

Sistema Intrauterino (SIU)

O sistema intrauterino (SIU) é feito de plástico, e é colocado no útero, onde pode permanecer por até cinco anos, com a restauração completa da fertilidade ao ser retirado. Libera pequenas doses diárias de um hormônio. Pode ser utilizado durante a amamentação e pode ser inserido a partir da 6ª semana após o parto.8 Apresenta uma eficácia superior a 99% , e em alguns casos também pode ser usado para reduzir o sangramento menstrual abundante.8 Há casos que podem interromper a menstruação completamente.

Dispositivo Intrauterino de Cobre (DIU)

O dispositivo intrauterino de cobre (DIU), apresenta eficácia de 99%, e geralmente pode ser usado por cinco ou dez anos.9 Ao contrário do SIU descrito anteriormente, não contêm hormônios, e atua impedindo a união entre o óvulo e o espermatozoide, além disso o cobre também atua como espermicida. A fertilidade retorna ao normal quando removido. O DIU pode ser inserido a partir da quarta semana após o parto e pode ser usado durante a amamentação. É diferente do SIU descrito anteriormente, uma vez que algumas mulheres podem apresentar períodos de sangramento mais intensos e prolongados ao utilizá-lo.

Implante

Um implante é uma pequena haste flexível que é inserida no braço da mulher através de um breve procedimento cirúrgico. Uma vez colocado, você pode sentir com os dedos, mas não é visível. Contém um hormônio, e tem uma eficácia superior a 99% durante três anos.10 A fertilidade retorna ao ser removido e ele pode ser utilizado durante a amamentação. Algumas mulheres que usam o implante podem apresentar períodos de sangramento reduzidos ou ausência dos mesmos, no entanto, podem apresentar outros períodos mais abundantes e prolongados.

REFERÊNCIAS

1 World Health Organization. (2011) Family Planning Factsheet No 351. [online] http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs351/en/

2 Bewley, S et al (2005) Which Career First? The Most Secure Age for Childrearing Remains 20-35. British Medical Journal. 331: 588 – 589 [online] http://www.bmj.com/content/331/7517/588.full

3 United States Agency for International Development (USAID), Bureau for Global Health, Office of Population and Reproductive Health. (2002) Birth Spacing: Research Update. [online] http://www. rhcatalyst.org/site/DocServer/Birth_Spacing_Research_Update_USAID_12-30-02_Final.pdf?docID=162

4 NHS (2011) NHS Pregnancy Planner Vitamins and nutrition in pregnancy. [online] http://www.nhs.uk/ Planners/pregnancycareplanner/Pages/vitaminsmineralsdiets.aspx

5 Herbert V. (1999) Folic Acid. In: Shils M, Olson J, Shike M, Ross AC, ed. Nutrition in Health and Disease. Baltimore: Williams & Wilkins

6 Family Planning Association (2010) Planning a Pregnancy [online] http://www.fpa.org.uk/media/uploads/helpandadvice/planningapregnancymarch2010.pdf

7 Berga, S. (2006) US Therapy for stress-related infertility. Presented at annual conference of the European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) in Prague, Czech Republic. [online] http://www.ivf.net/ivf/therapy-for-stress-related-infertility-o2098.html

8 NHS (2011) Contraception [online] http://www.nhs.uk/Conditions/Contraception/Pages/Introduction. aspx

9 NHS (2011) Intrauterine Device [online] http://www.nhs.uk/Conditions/Intrauterine-device-(IUD)/Pages/ Introduction.aspx

10 NHS (2011) Contraception: Contraceptive Implant [online] http://www.nhs.uk/livewell/contraception/pages/contraceptiveimplant.aspx

L.BR.04.2014.1823