Menopausa: Se não é doença, por que tratá-la?

Ondas de calor, suores noturnos, insônia, irritabilidade e diminuição do desejo sexual. Esses são alguns indícios de que você pode estar entrando na menopausa. Mas se o diagnóstico for confirmado, não há motivo para alarme. Afinal, apesar do nome complicado, não se trata de nenhuma doença, e sim de uma etapa como qualquer outra na vida da mulher, com sintomas que podem ser aliviados e enfrentados por meio da terapia de reposição hormonal.
A menopausa marca o fim gradual da produção dos hormônios estrogênios e progestogênios pelos ovários, até que estes percam a capacidade de funcionar, implicando no término da vida reprodutiva da mulher. A principal característica do período é a interrupção da menstruação – não há uma idade específica para a chegada da menopausa. Geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos, mas pode ser registrada a partir dos 40 ou mesmo antes dessa faixa.
Mas se a menopausa não é doença, por que tratá-la? No início dessa etapa, a mulher pode sentir sintomas muito fortes, que interferem em sua qualidade de vida, com consequências diretas no desejo sexual e no bem-estar emocional. São várias também as modificações no organismo feminino que podem predispor o aparecimento e o agravamento de doenças, que vão de problemas ósseos até cardíacos.
O ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), diz que o fato de a menopausa ser um fenômeno natural na vida da mulher não significa que a medicina deva aceitar passivamente as suas consequências.
“A redução da capacidade visual com a idade, por exemplo, é uma coisa natural, mas a medicina trata de minimizar o problema, diminuindo o desconforto que isso provoca. Por isso, a gente também procura tratar a menopausa. Mas a reposição deve começar no momento oportuno, analisando caso a caso”, afirma.
Coração e ossos mais fortes
A ausência de estrogênio, por exemplo, aumenta a chance de problemas cardiovasculares por reduzir a capacidade de distensão dos vasos sanguíneos e desequilibrar os níveis de colesterol. E também pode levar à osteoporose, doença grave relacionada a fraturas de vértebras e de bacia, ao fixar menos cálcio nos ossos e causar consequente perda óssea.
“Inúmeros trabalhos clínicos mostram que a reposição hormonal é eficaz em reduzir as fraturas por osteoporose. Isso ocorre porque os hormônios atuam sobre a remodelação óssea, inibindo a sua reabsorção, que está aumentada na transição menopáusica e nos primeiros anos após essa etapa”, completa o Dr. Fernandes.
Algumas mulheres não sentem os indícios mais típicos do período, outras, apenas alguns. A maioria, no entanto, não consegue escapar de sinais como suores noturnos, ondas de calor, insônia, diminuição do desejo sexual e ressecamento vaginal, irritabilidade, depressão e redução da atenção e da memória.
Tipos de terapia hormonal
Os tipos de terapia hormonal obedecem a variantes como hormônios utilizados (estrogênios e progestogênios, além dos androgênios), vias de administração (oral, transdérmica, subcutânea, intrauterina, vaginal), regimes (se contínuos ou cíclicos) e aplicação (de forma combinada ou isolada).
“A terapia hormonal restabelece o equilíbrio para quem tem sintomas decorrentes da falta estrogênica. A partir daí, a vida da mulher tende a sintonizar no ritmo que tinha antes desse período”, explica, por sua vez, a ginecologista Maria Celeste Osório Wender, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Tudo deve ser analisado para chegarmos à determinação de tratamento: idade, tempo pós-menopausa, tipo e grau de sintomatologia, doenças que essa mulher já apresentou ou apresenta, medicamentos que utiliza, a sua história familiar, seus hábitos de vida e algumas características no seu exame físico ou de outros testes complementares”, acrescenta a especialista, médica do ambulatório de Climatério, Ginecologia Endócrina e Anticoncepção do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.
Vale lembrar que, para o alívio dos sintomas da menopausa, tão importante quanto a terapia hormonal é a adoção de hábitos mais saudáveis de vida. Consultar regularmente seu médico, praticar exercícios físicos, abandonar hábitos como o fumo e manter uma alimentação leve e balanceada, rica em frutas e vegetais, fibras e peixes, também contribuem para a mulher ficar ainda mais bonita, por dentro e por fora.




