Planejar é necessário e saudável

Planejar é necessário e saudável

Autonomia, liberdade de escolha, economia financeira e, de quebra, vantagens para a saúde. Esses são alguns dos benefícios do planejamento familiar.

"Uma gravidez não esperada pode ter consequências biológicas, psicossociais e familiares muito grandes", ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, o médico ginecologista Dr. Nilson Melo, que coordena o Serviço de Planejamento Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Por isso, segundo ele, o planejamento familiar influencia diretamente a qualidade de vida das pessoas.

Os métodos contraceptivos auxiliaram bastante a adoção dessa prática, principalmente a partir da popularização das pílulas anticoncepcionais, na segunda metade do século 20 (leia os textos Lutas feministas mudaram também a medicina e Aos 50, cada vez mais moderna). Mesmo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 137 milhões de casais no mundo não adotam método preventivo algum, mesmo querendo limitar o número de filhos ou espaçar mais o nascimento de seus bebês.

Mas qual o motivo de o planejamento familiar não ter se disseminado completamente, se, pelo menos no caso brasileiro, é inclusive previsto na Constituição? Serviços e produtos não disponíveis em alguns locais, medo da reprovação social ou do parceiro, temores dos efeitos colaterais e preocupações com a saúde são alguns deles. As consequências, às vezes, são graves. Ainda segundo a OMS, diariamente cerca de 1.500 mulheres no planeta morrem por complicações no parto. O aborto inseguro, medida desesperada de quem não conseguiu planejar a gestação, responde por 13% dessas mortes. “Uma gravidez indesejada é uma causa muito importante de abortamento clandestino, que aumenta muito a mortalidade materna, as perfurações uterinas e, consequentemente, as infecções e hemorragias", observa Melo.

O exemplo mais significativo de como uma gestação não planejada pode trazer efeitos negativos é a gravidez precoce. Em geral, a vida da adolescente – em alguns casos, até pré-adolescente – sofre uma drástica mudança. Com um bebê na barriga e uma carga enorme de responsabilidade que está por vir, a garota ainda não tem autonomia financeira, preparo emocional nem maturidade para cuidar de outro ser humano totalmente dependente dela.

"Do ponto de vista social, ela perde o relacionamento com as amigas da mesma faixa etária, pois vai ter de se dedicar a uma criança”, comenta Melo. Por isso, em geral, torna-se uma adolescente mais isolada. Ou então quem cuida desse filho é a avó da criança. “E isso, muitas vezes causa uma confusão familiar grande." Outro impacto registrado é na educação: as mães adolescentes tendem a abandonar os estudos para cuidar de seus pequenos.

De olho na saúde

Se nos quesitos emocional e social o planejamento familiar só traz benefícios, na saúde não é diferente, independentemente da idade. Uma gravidez atrás da outra resulta num organismo feminino mais debilitado. "Pode gerar fetos talvez menos ‘sadios’, porque o organismo já vai estar um pouco debilitado”, adverte Melo. Segundo o especialista, o intervalo ideal entre gestações é de no mínimo um ano.

Não só as mães ficam mais saudáveis, como também os bebês. A mulher que planeja a gravidez costuma tomar ácido fólico antes mesmo de engravidar, o que diminui as chances de anencefalia (má-formação congênita na qual as crianças nascem sem encéfalo) e de meningomielocele (defeito no fechamento da coluna vertebral que pode causar acúmulo de água no cérebro). Além disso, a estabilidade emocional de quem optou por ter filho é considerada um ponto a favor para uma gestação saudável.

Parte desses benefícios vem com o simples uso dos métodos contraceptivos. "Todo e qualquer método traz como auxílio o espaçamento da gravidez, permitindo ao organismo feminino voltar à sua plenitude de normalidade", afirma Melo. Segundo ele, a maioria dos métodos hormonais — injeção mensal ou trimestral, implante, dispositivo intrauterino (DIU) com hormônio, pílula, adesivo e anel vaginal — tem vantagens "extras". Ajudam a diminuir o risco de câncer de endométrio (mucosa que reveste o aparelho uterino) e de ovário, endometriose (doença que ocorre por implante de tecido do endométrio, camada de revestimento interno do útero, fora deste), cisto ovariano, mioma e doenças benignas da mama.

Podem ainda promover alívio para cólicas e outros sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM), reduzir oleosidade da pele e, consequentemente, da acne, enfraquecer pelos em locais anormais e, finalmente, permitir à mulher postergar, antecipar ou simplesmente suprimir a menstruação. Além, é claro, de possibilitar que o seu bebê venha exatamente no momento que você mais o deseja. (sobre os benefícios dos métodos contraceptivos, leia também o texto Muito além do anticoncepcional).

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Redação Bayer HealthCare Pharmaceuticals

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