Diabetes e Síndrome metabólica

Diabetes é uma doença que aumenta a quantidade de glicose (“açúcar”) no sangue. Ela se manifesta quando o organismo não consegue metabolizar os nutrientes (derivados de carboidratos, proteínas e gorduras), provenientes da digestão dos alimentos.

Uma de suas causas é a deficiência do hormônio de insulina. Nos quadros de diabetes tipo 1, o organismo não consegue produzir insulina. No tipo 2, geralmente há uma combinação da deficiência parcial da produção e uma resposta reduzida do corpo ao hormônio, o que é denominado de resistência à insulina.

A Síndrome Metabólica (SM) é um conjunto de características que indicam um risco cardiovascular e metabólico aumentado, que afeta 1/3 da população americana e ¼ da europeia. Está relacionada a fatores de risco cardiovasculares, resistência à insulina e obesidade abdominal e aumenta a mortalidade geral em cerca de duas vezes e a cardiovascular em três vezes.

A International Diabetes Federation (IDF – Federação Internacional de Diabetes) sugeriu alguns critérios de definição de Síndrome Metabólica:

• A obesidade central, aumento da medida da cintura;
• Hipertrigliceridemia (aumento de um tipo de gordura – triglicérides): > 150 mg/dL ou estar em tratamento específico;
• HDL colesterol (colesterol “bom”): < 40 mg/dL em homens e < 50 mg/dL em mulheres ou estar em tratamento específico; • Hipertensão arterial sistêmica > 130/85 mmHg ou tratamento de hipertensão diagnosticado previamente;
• Glicemia de jejum > 100mg/dL ou diabetes tipo 2 diagnosticado previamente.

Para saber se você tem alguma dessas condições ou quiser saber como prevenir/tratar consulte seu médico.

Fonte:
Site Associação Diabetes Juvenil, ADJ. Disponível em http://www.adj.org.br/leitura-conteudo/00000087. Último acesso em 12/07/17.

Contracepção e diabetes:

O planejamento da gravidez é muito importante para mulheres que possuem diabetes. Isso porque engravidar com os níveis glicêmicos (de açúcar) descontrolados podem acarretar em anormalidades congênitas, aborto espontâneo, óbito fetal, fetos com peso acima do ideal, entre outros efeitos deletérios para o feto e recém-nascido. Também favorece complicações maternas como aumento do risco de hipertensão e pré-eclâmpsia (condição associada com o aumento da pressão arterial e a gestação) e piora de complicações degenerativas pré-existentes como retinopatia (Alteração dos vasos sanguíneo da retina – olho -causada pelo diabetes)e nefropatia (alteração causada pelos vasos sanguíneos do rim causada pelo diabetes)Assim o contraceptivo ideal para essas mulheres deve ser muito eficaz e não interferir no tratamento do diabetes.

Casos de diabetes sem complicações permitem que qualquer método contraceptivo seja utilizado, mas se a mulher já tiver diabetes há mais de 20 anos, tiver alguma complicação ou aumento do risco cardiovascular (como obesidade, pressão alta, aumento do colesterol…) métodos contendo estrogênio devem ser evitados (pílulas, adesivo, anel vaginal e injeção mensal).

Existem métodos que são mais eficazes e que não aumentam o risco cardiovascular como os LARCs (métodos de longa ação) que são DIU hormonal ou SIU, DIU de cobre ou implante.

Caso tenha diabetes procure seu médico para escolher o melhor método contraceptivo ou planejar sua gravidez.

Fonte:
Gourdy P. Diabetes and oral contraception. Best Pract Reser Clin Endocrinol Metabol. 2013;27:67-76.

Rogovskaya S, Rivera R, Grimes DA, et al. Effect of a levonorgestrel intrauterine system on women with type 1 diabetes: a randomized trial. Obstet Gynecol. 2005;105(4):811-5.

Contracepção e Síndrome Metabólica:

Essas pacientes requerem uma atenção especial na hora de escolher o método contraceptivo, pois possuem aumento do risco cardiovascular. Métodos contraceptivos que contenham estrogênio (pílulas, adesivo, anel vaginal e injeção mensal) podem elevar esse risco ainda mais e por isso devem ser avaliados com cautela e de forma individual.

Além disso, deve-se preferir métodos que não interfiram no peso, pois já há uma tendência a obesidade nesse grupo.

Existem métodos contraceptivos que não aumentam o risco cardiovascular como DIU de cobre (que não contém hormônios), DIU hormonal ou SIU (libera progesterona somente no útero), e métodos somente de progesterona que atuam no organismo como um todo; implante, pílula somente de progesterona e injeção trimestral. Alguns estudos demonstram que a injeção trimestral pode ter alguma influência no peso, assim o ideal é que converse com seu médico para decidir qual o melhor método para seu caso.

Fonte:
Verhaeghe J. Hormonal contracception in women with the Metabolic Syndrome: A narrative review. Eur J Contracep Reprod Health Care. 2010;15:305-313.

Kayikcioglu F, Gunes M, Ozdegirmenci O, Haberal A. Effects of levonorgestrel-releasing intrauterine system on glucose and lipid metabolism: a 1-year follow-up study. Contraception. 2006;73(5):528-31.

Yela DA, Monteiro IMU, Bahamondes LG, et al. Variação de peso em usuárias de sistema intra-uterino liberador de levonorgestrel, Diu T-cobre e acetato de medroxiprogesterona np Brasil. Ver Assoc Med Bras. 2006;52(1):32-6.

L.BR.MKT.07.2017.8091