A adolescência costuma ser uma época repleta de desafios e dúvidas em relação às mudanças que ocorrem no corpo, inclusive para as pessoas com deficiência. Neste cenário, a contracepção para jovens com deficiência não deve ser um tabu.¹

Para as meninas, menstruar e lidar com as mudanças no corpo pode ser ainda mais difícil quando há uma deficiência, já que cuidar da higiene íntima pode trazer obstáculos.

A pouca idade por si só não é contraindicação para o uso de métodos contraceptivos. No entanto, as orientações e o acolhimento do profissional de saúde precisam ser adequados às necessidades das jovens com deficiência, visando o uso correto do contraceptivo e a qualidade de vida.¹

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Por que usar métodos contraceptivos?

Quando se fala em métodos contraceptivos para jovens, logo se pensa na prevenção da gravidez na adolescência, um desafio de saúde pública no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, 14% dos bebês nascidos vivos em 2020 no Brasil foram de mães adolescentes.²

No entanto, o uso da contracepção vai além e impacta diversos aspectos da saúde, especialmente o bem-estar menstrual. Neste sentido, as jovens com deficiência estão sujeitas a mais dificuldades, como não encontrar absorventes adequados às diferentes anatomias, pouca acessibilidade nos sanitários, restrições à autonomia e falta de apoio à higiene, entre outras.³

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Orientação sobre prevenção contra ISTs

A prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é outro assunto que não pode faltar nas conversas com jovens. É importante ressaltar que a camisinha masculina ou feminina é o método contraceptivo mais eficaz para evitar ISTs, vírus HIV/Aids e hepatites virais B e C. Os demais métodos contraceptivos não evitam tais infecções.4

Portanto, a melhor forma de evitar a gravidez e as ISTs é a dupla proteção: o uso de um método contraceptivo mais a camisinha.4

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Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece métodos contraceptivos gratuitamente, disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Confira quais são eles:5

  • anticoncepcional oral combinado;
  • anticoncepcional injetável combinado (aplicação mensal);
  • anticoncepcional injetável de progesterona (aplicação trimestral);
  • pílula de progesterona isolada;
  • dispositivo intrauterino (DIU) de cobre;
  • DIU hormonal (em algumas localidades e sob critérios específicos)*
  • contracepção oral de emergência (conhecida como “pílula do dia seguinte”);
  • preservativos masculinos e femininos;
  • implante subdérmico.

Também são oferecidos os procedimentos definitivos de laqueadura e vasectomia, cumprindo-se os critérios da Lei nº 14.443/2022.6

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Contracepção de curta e de longa ação

Os métodos contraceptivos podem ser classificados em duas grandes categorias: os de curta ação e os de longa ação.7

Os contraceptivos de curta ação, como a pílula anticoncepcional, a injeção mensal, o adesivo e o anel vaginal, exigem disciplina e regularidade por parte da usuária, já que esquecimentos ou atrasos podem comprometer sua eficácia.7

Já os métodos de longa ação, que englobam o DIU de cobre, o DIU hormonal  e o implante subdérmico, têm duração por vários anos, sem a necessidade de lembrança para tomada diária ou mensal.8

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Jovens com deficiência têm direito à saúde sexual

Pessoas com deficiência ainda enfrentam estigmas em relação aos cuidados menstruais e direitos sexuais.3,9

Aspectos culturais, sociais, de gênero e psicológicos, por exemplo, afetam a forma como as jovens lidam com a menstruação. Em alguns casos, isso pode refletir em constrangimentos, maiores riscos de infecção e vulnerabilidade a abusos.3

Portanto, as jovens com deficiência devem receber orientação sobre saúde sexual e menstrual de forma abrangente e sem preconceitos.3,9

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Acolhimento às jovens com deficiência

Em meio a tantas opções de métodos contraceptivos, é normal ter dúvidas sobre qual escolher. Por isso, a palavra-chave para a orientação de jovens com deficiência deve ser “acolhimento”, seja no consultório médico ou no meio familiar.

É preciso explicar os tipos de contraceptivos, solucionar dúvidas e identificar os cuidados mais adequados às condições físicas e psicológicas de cada jovem, sempre considerando a independência da paciente.1,2

Durante a consulta, o médico deve reconhecer a individualidade de cada paciente, reconfortar a respeito de preocupações e criar um ambiente empático.¹

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Para lembrar

  • Jovens, inclusive as com deficiência, podem usar métodos contraceptivos.1,9
  • Jovens com deficiência podem enfrentar barreiras em relação aos cuidados menstruais, como falta de absorventes adequados e acessibilidade nos sanitários.3
  • Diversos métodos contraceptivos estão disponíveis no SUS, incluindo os de curta e longa ação.5,7,8
  • Os métodos de longa ação têm duração por vários anos e não dependem de tomada diária ou mensal para manter sua eficácia.8
  • O acolhimento profissional é fundamental para promover a orientação adequada às jovens com deficiência sobre saúde sexual, métodos contraceptivos e formas de uso.1

 

*Verifique a disponibilidade do DIU hormonal no seu município. Sujeito a critérios de elegibilidade. Antes de utilizar qualquer medicamento, procure orientação médica.

 

Leia também: Métodos contraceptivos: qual o melhor para o seu estilo de vida? 
 

 

Referências:
1. Anticoncepção para adolescentes [internet]. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). (Série Orientações e Recomendações FEBRASGO; 9). São Paulo: Connexomm; 2017 [citado 2025 set 17].

2. Brasil. Ministério da Saúde. Gravidez na adolescência: saiba os riscos para mães e bebês e os métodos contraceptivos disponíveis no SUS [internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2023 fev 9 [citado 2025 set 17]. 

3. Costa LS, et al. Cuidado menstrual de pessoas com e sem deficiência: orientações para pessoas que menstruam, trabalhadores da saúde, cuidadores e familiares [internet]. 3ª ed. Rio de Janeiro: ENSP, Fiocruz, 2024. [citado 2025 set 17]. 

4. Brasil. Ministério da Saúde. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) [internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [s.d.] [citado 2025 set 17].

5. Brasil. Ministério da Saúde. Contracepção [internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [s.d.] [citado 2025 set 17].

6. Brasil. Presidência da República. Lei nº 14.443, de 2 de setembro de 2022. Altera a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, para determinar prazo para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas e disciplinar condições para o planejamento familiar [internet]. Brasília: Presidência da República; 2022 set 2 [citado 2025 set 17]. 

7. Manual de anticoncepção [internet]. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2015 [citado 2025 set 17].

8. Contracepção reversível de longa ação [internet]. São Paulo, SP: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2022. [citado 2025 set 17].

9. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Guia de atenção à saúde das mulheres com deficiência e mobilidade reduzida [internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2025 set 17]. 84 p.

 

Material informativo destinado ao público geral. Em caso de dúvidas, converse com seu médico.

PP-KYL-BR-1960-1 | Outubro 2025

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